Vera: Governo dá os anéis para não perder os dedos

  • Por Jovem Pan
  • 08/05/2019 07h58
Ana Volpe/SenadoO Governo espera que isso seja revertido em apoio à reforma da Previdência

O Governo aceitou recriar os Ministérios da Integração e das Cidades. Foi uma concessão do tipo “dar os anéis para preservar os dedos”. A MP da reforma administrativa estava ameaçada de ser totalmente desfigurada pelo Congresso e está em discussão em comissão mista, mas será votada separadamente na Câmara e Senado.

Ela estava ameaçada por várias razões, mas a principal era a insatisfação dos parlamentares com o novo desenho. Os dois ministérios têm grande capilaridade nas bases políticas dos congressistas. Eles são responsáveis por irrigar recursos em Estados e municípios. É assim que a política real é feita.

O que os congressistas reclamavam era que a concentração das duas pastas em uma, a do Desenvolvimento Regional, não era boa. Isso já iria ser feito no bojo da MP, quisesse o Governo ou não. Havia consenso grande. O Governo então se antecipou a isso e o relator do MP, senador Fernando Bezerra, colocou em seu relatório a recriação destas pastas.

Com isso, o Governo espera que isso seja revertido em apoio à reforma da Previdência. Quando se fala em “dar os anéis para não perder os dedos”, também está a negociação de retirar o Coaf da pasta de Sergio Moro. O Governo espera que com a recente concessão os parlamentares desistam de tirar o órgão do Ministério da Justiça.

Mas o Governo ainda pode sofrer derrota, porque deputados e senadores querem “dar recado” a Moro.

Cortes de verbas

Defesa, Educação e Meio Ambiente sofreram cortes e manifestações são esperadas. A questão dos cortes chegam a reduzir a nada algumas rubricas.

Na Educação, haverá também cortes severos nas universidades e em serviços prestados na ponta.

Greve de professores de universidades federais está prevista para a semana que vem, se os alunos se juntarem, o Governo pode viver suas primeiras manifestações de massa nos primeiros quatro meses de gestão. Algumas medidas paliativas podem ser feitas para evitar a paralisação.

Também foi anunciado um corte adicional nos recursos da Defesa. Isso caiu como uma bomba aos militares.

Confira o comentário completo de Vera Magalhães: