Vera Magalhães: Câmara mostra que está mais forte que a articulação do Governo
Nesta terça-feira (26), a Câmara aprovou em dois turnos, no mesmo dia, uma PEC que engessa o Orçamento. Essa foi uma resposta à resistência do presidente da República Jair Bolsonaro em negociar com o Congresso.
O clima é o pior possível. Ao longo do dia as declarações voltaram a se acirrar e foi desenterrada uma emenda de 2015, que torna basicamente o orçamento impositivo e influi na possibilidade de o Governo usar o orçamento para conter déficits.
Isso vai na contramão do que o ministro da Economia, Paulo Guedes, queria, de ter um orçamento cada vez menos engessado. Foi uma espécie de demonstração de força da Câmara e que veio com apoio de líderes do Governo. O líder do PSL na Câmara, delegado Waldir, foi um dos que apoiaram a emenda.
O resultado agora é que o Congresso mostrou que conseguiu derrubar o intervalo de votação e votar a PEC com votos crescentes na segunda sessão. Com a articulação, a Câmara mostrou que está mais forte que a articulação do Governo.
A proposta contraria a ideia de Paulo Guedes de deixar o Orçamento menos engessado. Talvez tenha tido o caráter de querer fustigar o ministro da Economia que faltou à sabatina na CCJ. Mas ele foi cauteloso e acho que fez o certo sob o risco de pisar em minas terrestres.
Se ele fosse deixado aos leões na CCJ, como seria provavelmente, havia chance de que ele batesse boca com deputados e isso agravaria a possibilidade de aprovação da reforma da Previdência. Ele agiu de maneira cautelosa e isso não é motivo para atrasar a votação do projeto.
Sobre outras pautas-bombas, ainda existem várias engatilhadas e o Governo deve ficar atento.
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