Vera Magalhães: Partidos estão céticos quanto à participação de Bolsonaro na articulação da reforma

  • Por Jovem Pan
  • 03/04/2019 07h55
Tânia Rêgo/Agência BrasilPartidos acham que Bolsonaro quer fazer parecer que entrou na articulação, mas que o discurso será de que ele não quer aderir à velha política

A partir desta quinta-feira (04) o presidente Jair Bolsonaro passa a receber presidentes de partidos e líderes. Agora vai? O que o Governo quer fazer crer é que agora vai e que o presidente volta ao Brasil com a missão de se empenhar totalmente na reforma da Previdência. Sempre defendi que ele participasse da articulação pela aprovação da reforma.

Ele dá sinal de que quer se aproximar dos partidos e que têm potencial de fazer a aprovação ou rejeição da reforma da Previdência. Os partidos que ele recebe têm cerca de 300 congressistas nas bancadas. Serão reuniões em separado.

A reação dos partidos é que estes agiram com ceticismo ao chamado neste formato e acham que Bolsonaro quer fazer parecer que entrou na articulação, mas que o discurso será de que ele não quer aderir à velha política e que cargos não serão preenchidos como “troca-troca”. Eles têm medo de serem chamados para uma foto e o resultado ser o mesmo que antes.

Políticos vivem de 3 coisas: gestos, recursos orçamentários e contar com partilha dos espaços de poder. Isso é velha política? Pode ser, mas ainda não ha modelo colocado no lugar que supra essas três características. Deve se chegar a uma mediação entre o que quer o Planalto e o que os congressistas precisam para seus eleitores.

Ceticismo aparece também nas opiniões de empresários e mercado. Isso é um problema a mais de fundo porque este setor estava otimista de que haveria na esteira da onda de renovação um ímpeto para aprovar reformas liberais e destravar a economia. Mas uma coisa é campanha e outra é Governo.

Para empresários e o mercado, que não são treinados na arte da política e não vivem a relação intrincada entre corporações e poderes, o trabalho é em ritmo de montanha-russa. O clima hoje é geral de ceticismo, porque o que se tem até hoje é um total de nenhuma aprovação de decretos.

O ceticismo foi gestado ao longo de três meses e se manifesta em postura mais cautelosa.

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