Lava Jato: Grupo de Beto Richa recebeu R$ 4 milhões da Odebrecht

  • Por Nicole Fusco
  • 11/09/2018 11h41
Agência BrasilO ex-governador do Paraná e candidato ao Senado pelo PSDB Beto Richa

A força-tarefa da Operação Lava Jato prendeu nesta terça-feira (11), na 53ª fase da ação, três pessoas próximas ao ex-governador do Paraná e candidato ao Senado pelo PSDB Beto Richa: Deonilson Roldo, ex-chefe de gabinete de Richa; Jorge Theodócio Therino, empresário apontado como operador financeiro do ex-governador; e Tiago Correia Adriano Rocha — braço-direito de Jorge. Beto Richa também foi dedito nesta manhã, mas no âmbito de outra operação, deflagrada pelo Ministério Público do Paraná.

A nova fase da Lava Jato tem como objetivo investigar pagamento de R$ 4 milhões em propina pela Odebrecht para agentes públicos em 2014. Em contrapartida, a construtora seria favorecida no processo de duplicação da rodovia estaudal PR-323, na modalidade de parceria público-privada, cujo contrato era no valor de R$ 7,2 bilhões.

Os alvos da ação vão responder pelos crimes de corrupção pasisiva e ativa, lavagem de dinheiro e fraude à licitação. De acordo com os investigadores, eles atuavam de forma “habitual e sistêmica”.

“Dois dos investigados continuaram atuando em atividades suspeitas, um deles atuando na campanha do senador e continuando a movimentar valores expressivos em nomes de pessoas jurídicas que estavam registradas a familiares próximos [de Richa]”, explicou o procurador Diogo Castor de Mattos, em entrevista coletiva à imprensa.

Os procuradores destacaram que o caso chegou a ser investigado pela Justiça Eleitoral, mas foi encaminhado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por se tratar de crimes de corrupção e não de crimes eleitorais. O inquérito, no entanto, foi transferido para a 13ª Vara Federal, responsável pela Lava Jato, depois que Richa perdeu o foro privilegiado ao sair do cargo de governador para disputar uma cadeira no Senado.

“Infelizmente o foro [privilegiado] é um obstáculo para punir pessoas de outros partidos”, afirmou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.

Coincidência

Os investigadores afirmaram que a ação deflagrada pelo Ministério Público do Paraná e a nova fase da Operação Lava Jato foram realizadas no mesmo dia por “coincidência”. “Essas operações aconteceram de forma independente. Fomos surpreendidos [pela operação do MP]”, disse Lima. “Não houve nenhum tipo de ação conjunta com o MPE”, reiterou o auditor fiscal Felipe Eduardo Hayashi.

Além de Richa, outras catorze pessoas foram alvos de mandandos de prisão no âmbito da ação do MP. Entre elas estão a esposa do ex-governador, Fernanda Richa; o irmão do ex-governador, Pepe Richa, que é ex-secretário de infraestrutura; e Luiz Abib Antoun, parente de Beto Richa.

Segundo o MP, a operação apura direcionamento de licitação para beneficiar empresários e o pagamento de propina a agentes públicos, além de lavagem de dinheiro no programa do governo estadual do Paraná Patrulha do Campo. Os crimes teriam ocorrido no período de 2012 a 2014.