Bolsonaro defende reforma da Previdência gradual e começando com os políticos

  • Por Jovem Pan
  • 05/02/2018 16h18 - Atualizado em 05/02/2018 16h29
Jovem Pan "Quem votar sim (pela reforma da Previdência) e não levou nada é otário: esse é o papo dentro do parlamento", afirmou Bolsonaro

O deputado federal e pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSC-RJ) não acredita que o governo Michel Temer conseguirá aprovar a atual proposta de reforma da Previdência e diz que votará contra ela.

O pré-candidato defendeu, em participação no Programa Pânico nesta segunda (5), mudar as regras da aposentadoria “devagar”. Bolsonaro também citou outras propostas para a economia, como renegociação da dívida e reforma tributária.

Citando as regras para os homens, de que é necessário ter 35 anos de contribuição e 60 de idade para se aposentar, Bolsonaro sugeriu: “aumenta pra 36 e 61. Vai devagar”.

“Se o Temer fizer isso agora, deixa no futuro quem sabe passar para 62 e 37”, disse. “Se você quiser botar tudo isso no caldeirão, não vai aprovar e ainda vai deixar a esquerda crescer”, declarou Bolsonaro. Veja o trecho:

“Toma-lá-dá-cá” e dinheiro do FHC

Bolsonaro também criticou a política de “toma-lá-dá-cá” feita para aprovar a reforma da Previdência, embora defenda o uso de emendas parlamentares para negociar com o Congresso pois “está na lei”.

“Quem votar sim (pela reforma da Previdência) e não levou nada é otário: esse é o papo dentro do parlamento. Tem cara honesto que quer até votar favorável, mas diz que vai votar contra porque não quer a pecha de corrupto”, disse Bolsonaro.

Em seguida, o deputado disse que tentou ser corrompido durante a votação da PEC que instituiu a reeleição no Brasil, durante o governo FHC.

“É igual aconteceu no governo Fernando Henrique Cardoso. Eu pensei em votar favorável, (mas) quando apareceu R$ 200 mil pagos pelo governo FHC eu tirei o time fora”, declarou o deputado.

Veja o trecho:

Extinguir “algumas” estatais

Bolsonaro defendeu a extinção de “algumas estatais”.

“Sou favorável que você nem privatize, mas extinga algumas estatais”, afirmou. Ele citou “empresa que fabrica preservativos” (a Natex), a TV Câmara, que segundo Bolsonaro “está na mão de um partido” e a “TV do governo”, em referência à Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), que transmite eventos oficiais de Brasília.

O pré-candidato ilustrou citando o combate à água parada contra a dengue e disse, que, da mesma forma, “você combate a esquerdalha que está aí acabando com as estatais”.

Veja o trecho da fala de Bolsonaro sobre as privatizações:

Imposto único, rolagem da dívida, custo Brasil e Assembleia Constituinte

Em outras propostas sobre economia, o pré-candidato disse que pretende renegociar as dívidas externas do País. “Gastamos meio trilhão por ano com juros e rolagem de dívida”, citou Bolsonaro,

O seu mentor, economista Paulo Guedes, disse ao deputado que “tem como diminuir (os gastos com a dívida) na base da confiança”.

Bolsonaro classificou o número de 12 milhões de desempregado no Brasil como “mentiroso” porque “quem recebe Bolsa Família é tido como empregado”.

“Eu poderia ter uma pequena empresa e meia dúzia de funcionários. não tenho por que? Custo Brasil”, disse o deputado.

O pré-candidato ao Planalto defendeu “desburocratizar a economia e buscar algo próximo do imposto único”.

Bolsonaro também criticou o fato de alguns direitos trabalhistas comporem as cláusulas pétreas da Constituição e sugeriu convocar uma Assembleia Constituinte “à parte” para não “parar o Brasil”.

“Se tiver uma forma de você ter uma Constituinte à parte para mexer em alguns capítulos da Constituição, nós vamos fazê-la”, afirmou o pré-candidato, explicando que a ideia é “deixar o Parlamento funcionando naturalmente e quem quiser concorrer para fazer parte de uma Assembleia Nacional Constituinte” poderá fazê-lo.

Veja o trecho:

“Namoro” com possível ministro

Bolsonaro afirmou que segue aprendendo com o nome indicado para uma eventual equipe econômica de seu possível governo, o liberal Paulo Guedes.

“Tenho aprendido com meu economista, Paulo Guedes”, disse o deputado. “Itamar Franco e FHC não entendiam de economia”.

“(Eu e Guedes) estamos mais que namorando, estamos de mãos dadas, andando por aí”, afirmou Bolsonaro. “Como diz o chapoli colorado, juntem-se aos bons”, ilustrou.

“Eu fico pensando o que ele viu em mim e o que eu vi nele?”, brincou também o deputado.

Outros temas

Apesar da falta de sustentação política, Bolsonaro ainda se mostrou otimista quanto a suas chances nas eleições deste ano. Ele defendeu a liberdade de imprensa e as “fake news”, além de não entender que deve ficar inelegível mesmo se condenado em processo a que responde no STF. Veja detalhes da outra parte da participação no Pânico AQUI.

Veja como foi o programa completo com Jair Bolsonaro: