Ciro volta a prever segundo turno contra Geraldo Alckmin

  • Por Estadão Conteúdo
  • 14/06/2018 20h43
Agência BrasilPré-candidato do PDT avaliou possível segundo turno da eleição e defendeu o presidente do partido
O pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, afirmou nesta quinta-feira (14) acreditar que irá disputar o segundo turno das eleições deste ano com o tucano Geraldo Alckmin(PSDB) e não o deputado Jair Bolsonaro (PSL), atualmente o primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Acho que o Alckmin é quem vai para o segundo turno comigo. Minha questão com o Bolsonaro não é com ele, é contra o fascismo”, disse o pedetista, ao ser questionado sobre por quê tem preferido rivalizar com o deputado fluminense em suas aparições públicas.

“Acho que todos os democratas do País temos responsabilidade em arrancar a raiz desse fenômeno protofascista que ele representa, felizmente com grande vulgaridade”, emendou.

Alianças

Ciro e Alckmin ocupam o pelotão intermediário das pesquisas de intenção de voto, atrás do ex-presidente Lula, Bolsonaro e Marina Silva (Rede), e têm se movimentado para disputar, nas ultimas semanas, o apoio de legendas do chamado centrão, como PP, DEM e Solidariedade. Questionado sobre o estado das negociações, Ciro disse que nada vai ser acertado até meados de julho.

“Não vai acontecer, nem comigo nem ninguém, nenhuma aliança antes da travessia do rubicão. Nessa fase, todo mundo está conversando com todo mundo”, minimizou. “Estou animado com essas conversas, mas só vamos assistir algo sobre alianças só em meados de julho, e olhe lá.”

Ciro disse ainda que sua candidatura independe das alianças. “Sou candidato se o PDT quiser e somente se o partido quiser, não depende de nenhuma outra variável. Tudo que acontecer depois é reforço”, disse.

Afago a Beto Albuquerque e aliança com PSB

Um dia após o vice-presidente nacional do PSB, Beto Albuquerque, afirmar que a sigla deveria descartar qualquer tipo de aliança nacional no primeiro turno, Ciro fez um afago ao antigo colega de partido e voltou a dizer que “quer muito” um acordo já na primeira etapa de votação.

“Quero muito o apoio do PSB. Se eu vou conseguir ou não, vai depender de muitos fatores, mas eu quero muito. E o Beto Albuquerque é um dos amigos queridos que eu tenho lá”, afirmou Ciro, em referência às declarações do ex-deputado.

Na entrevista, Albuquerque, que foi vice de Marina Silva na eleição de 2014, fez duras críticas à maneira como o PSB conduziu sua participação na corrida presidencial. Ele condenou o fato de a sigla ter abandonado os planos de uma candidatura própria e afirmou que nenhum dos candidatos colocados até o momento é capaz de unificar a legenda.

“Podem fazer as juras de amor que quiserem, não vai adiantar nada. Nem Ciro, nem Marina, nem Alckmin, nem candidato nenhum entre os que estão aí é capaz de unificar o partido”, disse Albuquerque, na entrevista. “Dado que perdemos a oportunidade de estar nesta eleição com um nome nosso, o partido deveria mesmo é se concentrar na eleição de governadores, senadores e deputados no primeiro turno.”

Nos últimos dias, Ciro intensificou as conversas com outros partidos, na tentativa de montar uma aliança ampla para a corrida presidencial. Além de manter conversas com legendas do chamado “centrão” – como DEM, PP e SDD -, o pedetista reforçou os acenos ao PSB e ao PCdoB.

“Boto a mão no fogo por Lupi”
“Sobre o Lupi, eu boto a mão no fogo. É meu amigo de longa data e nunca foi processado por nenhum mal feito. Tem sido agredido porque era ligado a (Leonel) Brizola e agora é ligado a mim”, afirmou Ciro após o dirigente ter sido citado na delação de Carlos Miranda, apontado como operador do ex-governador do Rio Sergio Cabral (MDB).

Ciro declarou ainda que é Lupi quem tem autoridade para as fazer as costuras de sua campanha e excluiu novamente o MDB de seu arco de possíveis aliados. “O MDB destruiu o projeto do PT, destruiu o projeto do PSDB e precisa ser destruído”, declarou.

Questionado se partidos com quem tem aberto negociações não teriam o mesmo perfil da sigla do presidente Michel Temer, o pedetista respondeu que o que difere a sigla emedebista é “o tipo de centralidade que o MDB adquiriu pelo volume, tamanho e nível de absoluta falta de pudor republicano ou decência na sua cúpula”.