Confrontado por Bonner no JN, Bolsonaro se diz ‘totalmente favorável à liberdade de imprensa’

  • Por Jovem Pan
  • 29/10/2018 21h11
Fábio Motta/Estadão ConteúdoBolsonaro concedeu entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou na noite desta segunda-feira (29) que é “totalmente favorável à liberdade de imprensa”. A declaração foi feita ao Jornal Nacional da TV Globo. Durante a entrevista, ele chegou a ser confrontado pelo apresentador William Bonner, que defendeu a Folha de S. Paulo, acusada pelo ex-deputado de ter propagado fake news durante a campanha eleitoral.

Bolsonaro explicou que uma mulher que trabalhava em seu gabinete foi apontada como “funcionária fantasma” pelo jornal quando, na verdade, estava apenas em férias. “Não posso considerar essa imprensa digna, [mas] não quero que ela acabe. Empresa que se comportar dessa maneira, mentindo descaradamente, não receberá dinheiro do governo”, afirmou.

Assim como fez em entrevistas anteriores à Record e ao SBT, o presidente também reforçou que vai convidar o juiz Sérgio Moro para seu governo. “Pretendo convidá-lo para o Ministério da Justiça, ou, quando abrir uma vaga, para o Supremo [Tribunal Federal]”, disse. “Ele é um símbolo aqui no Brasil, tem que ter ser trabalho reconhecido.”

Após fazer seu primeiro discurso carregando um exemplar da Constituição, ressaltou ainda que todos os brasileiros estão “no mesmo barco” e que governará para todos, mesmo aqueles que não o escolheram para assumir o Palácio do Planalto. “Eu apelo aqueles que não votaram em mim: deem uma oportunidade.”

Preconceito e violência

Acusado pela oposição de “homofobia”, Bolsonaro disse que “a agressão contra um semelhante tem que ser punida na forma da lei” e, se acontecer por preconceito, a pena “deve ser agravada”.

Questionado em seguida sobre discursos feitos dias atrás sobre “faxina” de opositores, explicou que estava se referindo à “cúpula do PT e do PSOL”. “O Boulos [Guilherme, ex-candidato à presidência pelo PSOL] disse que invadiria minha casa. Foi um momento de desabafo, um momento acalorado, mas não ofendi ninguém”, ponderou.