Em 1° debate como candidato, Haddad faz provocações e é alvo de ataques; Marina e Alckmin criticam Bolsonaro

  • Por Jovem Pan
  • 21/09/2018 00h35 - Atualizado em 21/09/2018 00h36
Reprodução/TwitterEvento foi organizado pela CNBB

A TV Aparecida realizou mais um debate presidencial das eleições de 2018 na noite desta quinta-feira (20). Organizado pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), esse foi o primeiro que contou com a participação de Fernando Haddad, substituto de Luiz Inácio Lula da Silva na chapa do PT. Como já era esperado, o candidato, que adotou um tom mais provocativo que o de suas entrevistas anteriores, foi o principal alvo dos ataques.

Estiveram presentes Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos), Guilherme Boulos (PSOL) e Henrique Meirelles (MDB). Jair Bolsonaro (PSL) e Cabo Daciolo (Patriota) foram convidados, mas não puderam participar. O primeiro segue internado em recuperação; o segundo alegou “incompatibilidade de agenda”.

No morno primeiro bloco, cada candidato teve que responder a uma pergunta única sobre corrupção feita pelo Dom Odilo Scherer. Nenhum deles apresentou novidades. No segundo, começaram os embates diretos. O primeiro foi quando Haddad questionou os posicionamentos de Alckmin sobre a reforma trabalhista e a emenda do teto de gastos.

O tucano as defendeu alegando que são essenciais para retomar o crescimento do país e aproveitou para associar Michel Temer, responsável pelas medidas, ao Partido dos Trabalhadores. “Quem o escolheu foi o PT. Ele era vice da Dilma. Reincidentes! Escolheram duas vezes”, disse. O petista repetiu que pretende revogar as mudanças que “fragilizam o trabalhador” e rebateu. “Temer era vice, mas quem se uniu a ele para trair o governo foi o PSDB, que o colocou lá com um programa totalmente diferente do que foi aprovado na urna”.

Embate semelhante aconteceu no mesmo bloco com Haddad e Meirelles. O petista o acusou de ser “ingrato” com seu partido e ironizou que o ex-ministro “recuperou a confiança dos banqueiros da Faria Lima [região nobre de São Paulo], mas não a do povo”. O emedebista respondeu as provocações declarando que ele “não entende” que empresas privadas também contratam.

O terceiro bloco, em que jornalistas fizeram os questionamentos, exibiu novamente o clima morno do primeiro. Até que, no quarto, retomou os embates diretos. No início, Ciro e Boulos dispararam juntos, porém cada um à sua maneira, contra o “monopólio da mídia”. Em seguida, o candidato do PDT teve sua primeira discussão com o petista.

Ciro levantou o tema dos impostos e Haddad comentou algumas propostas. Após chamá-lo de “amigo”, deu uma “picadinha”, em suas palavras. “Por que razão o povo machucado deveria acreditar que essas boas ideias seriam praticadas em seu governo se o seu partido esteve no poder 14 anos?”, indagou. O ex=prefeito ignorou o sarcasmo e respondeu apenas que Lula “fez uma das maiores reformas tributárias do país” ao criar programas sociais.

No último embate, Haddad perguntou a Álvaro sobre a questão da família e ouviu somente críticas. “Você é o porta-voz da tragédia. O representante do caos. O PT virou a filosofia do fracasso. A crença da ignorância e da intolerância”, atacou. “Seu desconhecimento da realidade chama muita atenção (…). Você fica no seu gabinete e desconhece a realidade”, respondeu o petista, repetindo dados sobre programas sociais.

Desta vez, temas considerados polêmicos, como a descriminalização das drogas e a ampliação de direitos dos LGBTs, não foram levantados. Apenas o aborto foi brevemente citado nos minutos finais. Meirelles foi questionado por um bispo sobre sua posição e desconversou afirmando que é a favor da “vida e da preservação do ser humano” e que ao mesmo tempo defende “os direitos das mulheres”.

“Ele não” a Bolsonaro

O candidato do PSL, líder nas pesquisas de intenção de voto, foi citado em alguns momentos do debate. No segundo bloco, por exemplo, Boulos defendeu a “luta das mulheres”, especialmente a equiparação salarial, e declarou que seu governo não aceitaria “retrocessos”. “Ele não”, bradou ao fim de sua explicação, fazendo referência a uma campanha iniciada nas redes sociais por militantes contrários a Bolsonaro.

Em outro momento, no quarto bloco, Marina e Meirelles falaram sobre a polêmica envolvendo o presidenciável e seu economista, Paulo Guedes, no debate sobre a recriação da CPMF. A primeira brincou que enxerga um “incêndio no Posto Ipiranga” (apelido que Bolsonaro costuma dar a Guedes). “Eles não estão se entendendo. É difícil ser presidente com um Posto Ipiranga. Você tem que saber para onde quer ir”, disse. O emedebista também criticou uma suposta recriação do tributo e Marina seguiu com críticas mais fortes.

“O Bolsonaro, que infelizmente não está aqui por conta de uma violência, tem uma visão de país de governar aos poderosos. Chegou a dizer que não demarcaria um centímetro de terra indígena, desconsidera mulheres, tem um vice que deu uma declaração desastrosa sobre mães e avós que cuidam com tanto sofrimento de seus filhos. Essa visão tem que ser combatida. Temos que parar de ficar entre a violência e a corrupção”, disparou.

Por fim, Alckmin, em suas considerações finais, concluiu que o país não pode ser liderado por alguém “intolerante que defende a tortura”. “O Brasil só perde com os extremos”.