Para economista de Marina, reforma da previdência é o principal desafio do País

  • Por Jovem Pan
  • 20/09/2018 14h44 - Atualizado em 25/09/2018 10h51
Reprodução/Twitter @CEBRIonline 'Equipe de Temer é de alto nível, problema é a legitimidade', diz economista de Marina "Se criar uma percepção de que há um comprometimento sério, com uma estratégia crível, a economia está pronta para voltar a crescer muito rapidamente", afirma o economista de Marina Silva

Um dos pais do Plano Real, o economista André Lara Resende, que integra a equipe econômica da chapa de Marina Silva (Rede), participou do Jornal Jovem Pan desta quinta-feira (20). Para ele, o cenário econômico brasileiro é muito grave, porém a situação é diferente da época em que antecedeu a implantação do Plano Real.  “Não é como na época que antecedeu o Plano Real, quando tinha, pelo menos, um sintoma muito evidente da inflação fora de controle. Hoje está menos evidente, mais escondido, a gravidade do quadro. Mas, o diagnóstico está claríssimo. Temos um desiquilíbrio fiscal, cujo componente principal vem da previdência, e precisa ser atacado de forma séria e imediata. Há um certo concesso do que deve ser feito”, disse.

Na visão do economista, um dos principais desafios da próxima é a reforma da previdência. “Se criar uma percepção de que há um comprometimento sério, com uma estratégia crível, a economia está pronta para voltar a crescer muito rapidamente. Depende muito de como isso vai ser enfrentado pelo próximo governo. Há um consenso que a reforma principal a ser feita é a da previdência”, afirmou.

Lara, no entanto, contemporiza com a atual equipe econômica. Na sua visão, os profissionais do governo Temer são bons, mas a conjuntura da administração atrapalha o trabalho.  “A equipe técnica do governo Temer é de alto nível. O problema foi a falta de legitimidade”, diz.

Apesar disso, Lara critica o aumento da carga tributária dos últimos anos. “O patrimonialismo e as forças de interesses específicos corroem por dentro o Estado. Eles foram crescendo e o Estado foi resolvendo aumentando a carga tributária. Aumentar a carga tributária é disfuncional. Estamos em uma cilada, porque você tem um Estado asfixiado por esses interesses”.

Questionado sobre os impostos e encargos que incidem sobre a folha de pagamento, Lara disse: “São muito altos. Por isso, uma revisão de toda a estrutura fiscal no Brasil se impõe. Claramente, a estrutura fiscal está equivocada e distorcida. A desoneração foi feita no pior momento, quando o desemprego no Brasil estava muito baixo. Hoje, não tem saída. É preciso rever a desoneração em todos os campos”.

“Além da estrutura tributária brasileira ser excessivamente baseada em impostos indiretos, ela é confusa e caótica. PIS e COFINS são complicados e geram muitos questionamentos. As empresas precisam de uma estrutura jurídica grande só para cuidar disso. O que melhorou muito do Brasil de hoje em relação à época da hiperinflação, é que os dados existem, por isso o diagnóstico está claro. O que fazer, já se sabe. O que falta é competência e liderança política para fazer isso”, analisou.

Durante a entrevista, Lara ainda aproveitou para fazer palanque da candidata. Segundo ele, um dos compromissos de Marina Silva é ter um maior equidade social. “A história da Marina é extradicionaria. A trajetória dela pode ser vindo da esquerda, mas o compromisso dela é principalmente com uma maior equidade social no país. As definições de esquerda e direita perderam um pouco dos contornos, não é tão nítido como no passado”.