Meirelles prega “rigor” contra uso político dos caminhoneiros, mas evita criticar governo

  • Por Jovem Pan
  • 29/05/2018 08h34
Elias Gomes/Jovem PanMeirelles preferiu não julgar demora do atual governo para lidar com a crise: "É um problema importante, eu estou agora fora do governo, sou candidato à Presidência da República, portanto não quero entrar no assunto, diretamente julgar, não quero julgar, porque é muito difícil, o assunto é complexo", esquivou-se

“Rigor”. Esta é a palavra utilizada pelo ex-ministro da fazenda Henrique Meirelles (MDB) para definir a ação que precisa ser tomada no que diz respeito à greve de caminhoneiros que paralisa o País. Para ele, o movimento tem cunho político e as reivindicações foram atendidas.

“As condições estão dadas (para o fim da greve). O que precisamos enfrentar é o componente político desta crise, isto é, o aproveitamento político de grupos organizados, seja da esquerda, seja da extrema direita, que se organizam para tumultuar a vida do País e ter benefícios políticos. Isto aí, sim, é o que precisa agora ser enfrentado com rigor”, disse Meirelles em entrevista exclusiva durante o Fórum Jovem Pan Mitos e Fatos.

Quando questionado se houve demora por parte do governo de Michel Temer para agir sobre a crise, o pré-candidato do MDB afirmou que é uma questão complexa e que prefere não fazer julgamento.

“É um problema importante, eu estou agora fora do governo, sou candidato à Presidência da República, portanto não quero entrar no assunto, diretamente julgar, não quero julgar, porque é muito difícil, o assunto é complexo”, disse. “Envolve custos fiscais, questões jurídicas complexas que o governo teve de tomar, medidas duras, medidas difíceis, com o uso de forças de segurança, etc”, declarou.

“Portanto é um problema muito complexo que acho que temos de nos abster de julgamentos rápidos e tentar transformar uma questão difícil, complexa, em um problema simplista”, afirmou.

Meirelles falou sobre a intervenção ou não do governo sobre a política de preços da Petrobrás. “É importante, de fato, como está sendo feito, a proteção da Petrobras, permitindo que a Petrobras continue a produzir cada vez mais e melhor. Por outro lado, fazendo um corte de impostos, como está sendo feito de maneira a estabilizar um pouco mais e principalmente diminuir o preço do combustível agora”, disse.

O ex-ministro tenta se descolar da imagem do governo e diz que a greve dos caminhoneiros não irá afetar a sua candidatura. “Eu acredito que de uma certa maneira pode até ajudar porque deixa mais clara a necessidade de uma ação dura, decisiva, firme e de um governante que, a partir de 2019, que implante as reformas que estão sendo feitas, dê continuidade à política econômica que iniciamos e, portanto, tenha condições de diminuir as despesas públicas de longo prazo e tenha espaço para diminuir os impostos sobre combustíveis e outros impostos”, defendeu Meirelles.

Coube ao ex-ministro fazer o encerramento do Fórum Mitos e Fatos da Jovem Pan, que discutiu o tema economia, com diversos empresários, executivos, economistas e especialistas.

As informações são do repórter Daniel Lian: