No JN, Ciro nega “incoerência” e compara chapa com Kátia Abreu a Lula e José Alencar

  • Por Jovem Pan
  • 27/08/2018 21h31 - Atualizado em 27/08/2018 21h38
GUILHERME RODRIGUES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOCiro Gomes, candidato do PDT à presidência

Nesta segunda-feira (27), Ciro Gomes (PDT) foi o primeiro candidato à presidência das eleições de 2018 a participar da série de sabatinas ao vivo promovida pelo Jornal Nacional da TV Globo. Durante entrevista comandada por William Bonner e Renata Vasconcellos, ele foi questionado sobre suposta “incoerência” em montar uma chapa “de esquerda” com a ruralista Kátia Abreu, mas rebateu fazendo uma comparação com a união formada por Luiz Inácio Lula da Silva e José Alencar em 2002 (e posteriormente em 2006).

“Ela é uma mulher extraordinária. Nunca me apresentei como um candidato que vai ‘unir a esquerda’. Sou um candidato com um projeto de desenvolvimento. Passei três anos consultando inteligências, meu projeto está ordenado. Vamos unir interesses de quem produz e de quem trabalha, esse é o desenho. A Kátia vem por ser mulher, séria, trabalhadora. Ela conhece a agricultura como poucos, votou contra o golpe, contra a reforma trabalhista (…). Nós nos completamos. É como Lula com Zé Alencar”, disse.

Ainda falando sobre o ex-presidente, Ciro voltou a dizer que, quando começaram a aparecer indícios de irregularidades na Petrobras, ele imediatamente o alertou. Os apresentadores perguntaram, então, porque não fez a denúncia ao Ministério Público.

“Quem faz a denúncia assume o ônus da prova. Mesmo com as evidências, deveria reportar ao MP ou ao meu chefe?”, respondeu, fazendo ao mesmo tempo uma breve defesa do petista. “O Lula não é nenhum ‘satanás’ nem nenhum Deus. Conheço há 30 anos. Tive a honra de ser seu ministro. Ele fez muita coisa boa. O povo sabe disso – por mais raiva que tenha dele”, completou.

Defesa semelhante foi feita ao presidente de seu partido e ex-ministro Carlos Lupi. “Se eu for eleito, o Lupi terá a posição que quiser porque tenho convicção de que é um homem de bem. Ele tem minha confiança cega”.

“Receber Moro na bala”

Os dois entraram ainda no tema da corrupção e provocaram o candidato relembrando uma frase atribuída a ele em que, criticando a Operação Lava Jato, teria dito que “receberia Sérgio Moro na bala”. “Algumas coisas são ditas e retiradas de seu contexto. Apoio a Lava Jato, ela é uma virada de página na impunidade. Como tenho ficha limpa, nunca me envolvi em nenhum escândalo, levo vantagem nessa disputa. Entretanto, a Operação só prestará um bom serviço se for vista como uma coisa equilibrada. No lado do PSDB, por exemplo, não houve nenhuma prisão”, atacou.

“Eu ajudei a desenhar as atribuições do Ministério Público. Sei que nesse momento há abusos. Prefeitos tem sofrido, vocês não tem ideia. Na medida em que o MP extrapola suas atribuições, perde a nobreza de sua tarefa. Semanas atrás um juiz de plantão mandou soltar Lula, depois outro mandou prender, depois mandou soltar, depois prender. Parece o cachorro do Tom Cavalcante”, brincou em referência à famosa piada de um cão chamado “Pra Dentro”. “Sou professor de direito constitucional. Temos que ter mais segurança jurídica”.

Por fim, Ciro insistiu, mais uma vez, na proposta de renegociar dívidas e limpar o nome de brasileiros endividados. Nesse momento, Bonner ironizou se não seria mais uma proposta que candidatos fazem em época de eleição e nunca saem do papel. “É que eu nunca fui presidente. Quando eu for, vai sair”, disparou o entrevistado.