Ao lado de Maia, Paes lança-se ao governo do RJ sem citar Lava Jato e Cabral

  • Por Estadão Conteúdo
  • 29/07/2018 14h31 - Atualizado em 29/07/2018 14h34
JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOPaes foi o último a falar e, em seu discurso, enfatizou as crises na economia e na segurança que atingem o Estado

Sem mencionar a Lava Jato ou a corrupção no Estado, o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (DEM) lançou-se candidato ao governo do Rio na manhã deste domingo (29). O anúncio foi feito ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e de seu pai, o vereador do Rio, Cesar Maia (DEM), em um prédio comercial na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

Paes foi o último a falar e, em seu discurso, enfatizou as crises na economia e na segurança que atingem o Estado, mas não falou da corrupção e da Operação da Lava Jato fluminense, que prendeu três governadores do Estado, Anthony Garotinho (PRP), Rosinha Garotinho e o seu ex-aliado e ex-colega de partido, Sérgio Cabral (MDB).

O ex-prefeito do Rio preferiu ocupar a maior parte de seu discurso fazendo elogios à família Maia, com a qual estava rompido e se reaproximou depois que se filiou ao DEM para se candidatar ao governo. Ele destacou o acordo de recuperação fiscal do Estado obtido em Brasília, no qual Maia teve influência.

“Rodrigo teve um papel fundamental nos últimos tempos, no Brasil, e no Rio. Se não tivéssemos ele, estaríamos em uma situação pior do que a que vivemos hoje. Não estaríamos conseguindo pagar o salário dos servidores. Rodrigo é o senhor estabilidade”, exaltou.

Já o presidente da Câmara disse que aliança com Paes tem o objetivo de “refundar o Estado do Rio”. “O Estado não parou graças ao trabalho articulado pela nossa bancada no projeto de recuperação fiscal. Não acho que a situação do Estado é tranquila. Temos um déficit previdenciário muito grande. Precisamos de um gestor de qualidade e de pessoas que já mostraram, por onde passaram, que têm experiência e capacidade”, disse, referindo-se ao ex-prefeito do Rio.

Escândalos do MDB-RJ

Questionado por jornalistas pelo fato de não ter mencionado o tema da corrupção, nem os políticos do MDB presos pela Lava Jato, em seu discurso, Paes disse que responde pelos seus atos e que o “seu CPF é outro”.

“Eu sempre fiz alianças, sempre me dei com partidos. Mas meu compromisso é com a população. Eu respondo pelos meus atos como indivíduo, como homem público, e na Prefeitura do Rio”, disse.

Paes admitiu que a prisão de seu ex-aliado, o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), contribuiu para a crise do estado, mas não citou o desvio de recursos públicos dos cofres fluminenses, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF). “É obvio que, quando você tem uma perda de liderança, de comando, e isso vinha acontecendo há muito tempo, estimula a crise que a gente vive”, afirmou.

Paes também justificou, na entrevista para imprensa, que a corrupção é um tema que deve ser premissa de qualquer governo, mas culpou os órgãos de controle público. “A gente precisa rediscutir o tema do sistema de controle brasileiro, que tem se mostrado extremamente ineficaz. Os controles formais de governo não têm dado conta desse desafio”, disse.