Boni vê falta de coragem para TV tomar partido em coberturas políticas: “não existe isenção”

  • Por Jovem Pan
  • 18/03/2016 13h01

Boni é um dos principais nomes da história da TV

Boni no Morning Show

Um dos diretores mais renomados da TV brasileira, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, é indiscutivelmente uma referência quando se fala sobre o setor. Com mais de 50 anos de experiência, ele esteve no Morning Show desta sexta-feira (18) e fez uma reflexão sobre a cobertura jornalística da política.

Assunto em alta devido ao momento de crise do país, ele disse não acreditar na influência da grande mídia na opinião pública, seja para um lado ou para outro. “Todos os veículos estão cumprindo o sagrado dever de informar, não vejo algo que prejudique”, afirmou.

Boni explicou que, no Brasil, “a cultura jornalística não se acostumou a tomar partido”. Algo que acontece em outros países, como os Estados Unidos. Para ele, “não tiveram a coragem de manifestar a sua opinião de forma explícita. Não existe isenção”.

E, ao contrário do que se possa pensar, “é um direito que a emissora tem de manifestar claramente a sua opinião”.

Mesmo assim, Boni considerou que as críticas façam parte de um receio comum aos políticos, que temem não conseguirem se expressar e saírem com a imagem arranhada. “A TV é cruel, tem que ter medo mesmo”, reforçou, citanto senadores e deputados que não têm condição de representar o público que o elegeu.

Programação

Especialista no ramo, ele foi um dos responsáveis por garantir à Rede Globo o chamado “padrão de qualidade”, que vem garantindo há anos a liderança da emissora diante de suas concorrentes.

“Eu considero uma tentativa de fazer bem feito, de polir uma qualidade de texto, de imagem, de fazer com que todas as coisas funcionassem bem e de maneira correta. Acabou que recebemos este rótulo, mas não fomos nós que criamos, nunca achei que nós tivéssemos conseguido”, ponderou.

Com a presença cada vez maior de tecnologias e o fortalecimento dos canais a cabo e serviços de streaming, Boni diz que é possível que a TV aberta não perca força se souber aproveitar as brechas.

“Quando você tem uma grade estática, ela vai perdendo público para outros canais. A TV tem que trabalhar cada vez mais com coisas ao vivo, eventos, menos amarrada. São plataformas que se integram para que a comunicação seja mais rápida, acho que só vamos poder avaliar mais tarde”.