Cannes abre mostra paralela com o amor pouco convencional de “Party Girl”

  • Por Agencia EFE
  • 15/05/2014 19h57

Javier Albisu.

Cannes (França), 15 mai (EFE).- O retrato realista de Angelique, uma veterana dançarina francesa de cabaré a quem um cliente frequente propõe casamento, inaugurou nesta quinta-feira “Un Certain Regard”, a mostra paralela à seleção oficial do Festival de Cannes onde destacam-se os novos nomes do cinema e as novas linguagens.

A não-atriz Angelique Litzenburger interpreta a si mesma em “Party Girl”, um relato dos diretores Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis sobre um amor pouco convencional, quando o velocímetro rodou várias vezes e a maquiagem já não consegue mais domar a pele nem os costumes.

O longa-metragem, quente e franco, sem dúvida, foca na mudança de vida enfrentada por Angelique, após uma existência vivida à base de brilho e uma quitinete em Foch, na fronteira entre França e Alemanha.

Com 60 anos bem vividos, e poucos clientes que ainda a procuram, a protagonista recebe um anel de noivado de Michel (Joseph Bour), um aposentado que se cansou de ter que alugar o tempo de sua amada.

O filme, com música da canadense Chinawoman, é também uma viagem de 1h35 no seio da humilde família de Angelique e seus quatro filhos. Três deles adultos apoiam a vida da mãe, e a encorajam a se aproximar da mais nova, que cresceu com uma família adotiva e perdeu o contato com eles.

“O filme fala muito do amor, e o analisa de diferentes formas: familiar e de casal. Mas também de amizade”, comentou Theis, um dos autores, que produziu o filme com uma equipe de mais 30 jovens.

Trata-se de uma merecida homenagem à amizade, já que ele assina seu primeiro longa a seis mãos, ao lado de mais dois amigos que conheceu quando estudava cinema na escola parisiense La Fémis.

“Party Girl” competirá na seção que serve de “contra-programação” à seção oficial e que na 67ª edição do Festival de Cannes conta com o argentino Pablo Trapero como presidente do júri.

Haverá conversas e debates antes do veredito, mas o diretor argentino quer “aproveitar o sentimento único e maravilhoso que é estar sozinho na sala desfrutando de um bom filme”, disse ao apresentar a seção, que entregará seus prêmios no dia 23.

O filme de abertura disputará, entre outros, com “Hermosa Juventud”, do espanhol Jaime Rosales; “Jauja”, do argentino Lisandro Alonso; “O sal da terra”, sobre a história do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado feito pelo seu filho, Juliano Salgado, ao lado do consagrado Wim Wenders; e “Lost River”, primeiro trabalho como diretor do ator Ryan Gosling.

Hoje também estreou na mesma categoria “Le Lion de mon Père”, com o qual a cineasta israelense Keren Yedaya volta a competir após ganhar, em 2004, com “Mon trésor” a Palma de Ouro.

Keren relata a relação de incesto entre um pai e sua filha que dividem um apartamento em Tel Aviv. Ele se comporta como um animal e ela responde com bulimia e cortes com canivete nos braços.

O filme dura 1h30 e aborda os abusos do dominador e a impotência da vítima, que destila certa Síndrome de Estocolmo e que coloca diante da câmera Maayan Turgeman, Grad Tzachi e Yaël Abecassis.

Embora fundada em 1978, a mostra paralela só passou a entregar prêmios em 1998, período no qual condecorou o italiano Marco Tullio Giordana (“A melhor juventude”), os uruguaios Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll (“Whisky”) e o mexicano Ángel Tavira (“O violino”), entre outros. EFE

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