Com as cores da África, Imperatriz faz discurso visual contra o preconceito

  • Por Jovem Pan
  • 17/02/2015 04h35
RIO DE JANEIRO,RJ,17.02.2015:CARNAVAL-IMPERATRIZ-LEOPOLDINENSE - Carnaval 2015. Grupo Especial. A rainha de bateria Cris Vianna durante desfile da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, no Sambódromo Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro (RJ), nesta terça-feira (17). (Foto: Dhavid Normando/Futura Press/Folhapress)Imperatriz Leopoldinense faz desfile com temática africana; veja

Penúltima escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, a Imperatriz Leopoldinense trouxe como tema “Axé-Nkenda – Um ritual de liberdade – E que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz”. Com interpretação de Nêgo e mestre de bateria Noca, a Imperatriz propôs uma reflexão a favor da liberdade e do amor e pela extinção da distinção pela cor.

A escola se inspirou no episódio de racismo contra o jogador Daniel Alves que aconteceu em abril de 2014, quando uma banana foi jogada ao campo de futebol e o mundo se incomodou com a cena. Por este motivo, a escola apresentou, na letra, o verso “uma ‘banana’ para o preconceito”.

A apresentadora Glória Maria e o treinador Zico comandaram o carro de abertura. A atriz Cris Vianna chamou a atenção com um figurino dourado brilhante no papel da rainha de bateria. O mestre-sala Phelipe Lemos e a porta-bandeira Rafaela Teodoro dançaram com fantasias coloridas representando a África do Sul, país conhecido como País Arco-Íris, onde convivem todas as cores e povos de diferentes etnias.

Os animais vieram representados também de cores variadas. O trabalho das cores foi inspirado em uma ONG que atua no Quênia e que recolhe chinelos de borracha velhos, os transformando em bonecos coloridos e os exportando mundo afora.

Para exemplificar a diversidade de forma e cores, a ala da savana africana trouxe oito animais diferentes. A atuação predominante dos negros na construção da identidade nacional ficou exposta com os carros alegóricos da chegada dos escravos no país até o fim da escravidão. A contribuição na culinária também não foi esquecida, destacando o acarajé. Com tecidos leves, a Imperatriz Leopoldinense atribuiu a leveza e o movimento necessários às fantasias para dar vida ao tapete humano da avenida.

Confira o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense:

Foi um grito que ecoou, “Axé-Nkenda”!
A luz dentro de você… acenda!
Nada é maior que o amor, entenda
A voz do vento vem pra nos contar que na mãe África nasceu a vida
Pura magia, “baobá” abençoado… tanta riqueza no triângulo sagrado
Mistérios! Grandeza! O homem em comunhão com a natureza!
Tristeza e dor, na violência pelas mãos do invasor
E o mar levou.. Nossa cultura um novo mundo encontrou

 

Põe pimenta pra arder, arder, arder!

Sente o gosto do dendê, o iaiá, oyá
Tem acarajé no canjerê, tem caruru e vatapá (é divino o paladar)
Capoeira vai ferver! Vem ver! Vem ver!
Abre a roda que ioiô quer dançar… Sambar…
Traz maracatu, maculelê… É festa até o sol raiar

 

Liberdade! Sagrada busca por justiça e igualdade

E com arte eu semeio a verdade
O despertar para um novo amanhecer
Faço brotar a força da esperança
Deixo de herança um novo jeito de viver!
Vamos louvar o canto da massa
Unindo as raças pelo respeito
Vamos à luta pelos direitos
Uma “banana” para o preconceito

 

“Mandela”! “Mandela”!
Num ritual de liberdade
Lá vem a Imperatriz! Eu vou com ela
Eu sou “Madiba”! Sou a voz da igualdade