“Compositores escreviam pensando em ser gravados por Elis”, diz autor de biografia da cantora

  • Por Jovem Pan
  • 17/03/2015 18h06
Elis Regina

Nesta terça-feira (17), Elis Regina completaria 70 anos. Considerada uma das maiores cantoras do Brasil, o musicólogo Zuza Homem de Mello explicou para a Jovem Pan porque a história musical da artista continua ecoando até hoje. “Eu acho que uma das razões é que ela nunca foi consagrada em vida, nunca teve uma legião de admiradores como merecia e ela nunca foi uma artista de vender muitos discos. As pessoas se sentem devedoras do que ela foi”, afirmou o crítico. “Aquilo que a gente chama de um cantor verdadeiramente popular, como Roberto Carlos e Maria Bethânia, ela nunca foi. Agora as pessoas reconhecem, “eu errei” e correm atrás do prejuízo”.

Além da dedicação que mostrava sob os holofotes, Elis demonstrava o mesmo entusiasmo nos bastidores, lutando pelos direitos da classe e liderando encontros de associação musical. Por conhecer a fundo o ramo em que trabalhava, a artista gravou músicas atemporais. “Ela expressava o que a canção queria dizer, respeitava o que o compositor tinha feito, se dava bem com qualquer tipo de canção. No disco com Tom Jobim você tem várias provas disso”, exaltou Homem de Mello.

Segundo o jornalista Júlio Maria, o sucesso de Elis proporcionou que a indústria fonográfica produzisse melhores compositores. Todos os profissionais queriam compor da melhor forma possível para que suas músicas fossem gravadas pela cantora. “O Ivan Lins [músico] tem um pensamento que faz muito sentido. A Elis aumentou a qualidade da música brasileira, as pessoas escreviam pensando em ser gravadas por Elis”, revelou.

Para Zuza, o crescimento de Elis Regina não foi apenas mérito dela. O músico e também marido de Elis, César Camargo Mariano, foi grande responsável pela construção da imagem que a cantora sustenta até hoje. “Os melhores discos de Elis Regina acontecem quando ela tem César Mariano, com a integração um com o outro”.

Para comemorar os 70 anos do aniversário de uma das maiores cantoras do país, Júlio Maria lança, nesta terça-feira (17), o livro “Nada Será Como Antes”, biografia da vida pessoal e profissional da artista. O lançamento acontece esta noite, a partir das 18h30, na livraria Cultura, no Conjunto Nacional, em São Paulo.

“Nada foi como antes. Se você analisar Elis Regina desde o primeiro espetáculo musical, você já tem a primeira grande referência de voz. Não era só ligar uma ‘chavinha’ e pronto, ela levava a vida ao palco, conseguia chorar e cantar ao mesmo tempo sem desafinar”, comentou Júlio Maria em referência ao título da obra.