Crítico lamenta declaração de atriz indicada ao Oscar: é fácil dizer que é mimimi

  • Por Jovem Pan
  • 23/01/2016 16h26
Charlotte Rampling

No último dia 14, foi divulgada a lista de indicados ao Oscar e, pelo segundo ano seguido, não apareceu o nome de nenhum ator negro nas categorias principais. Desde então, a polêmica não parou: nomes como Spike Lee, Jada Pinkett Smith e Will Smith falaram em boicotar o Oscar, Chirs Rock (que será o apresentador da cerimônia) criticou a premiação na internet e por aí vai.

Questionada sobre o assunto na quinta-feira (21), a atriz Viola Davis disse que o problema não é o Oscar. E o crítico de cinema Pablo Villaça concorda em ela. “Existe em Hollywood uma falta de oportunidades muito grande para minorias em conseguir trabalho em profissões maiores. Com dados estatísticos é fácil você comprovar isso. Isso acaba sendo refletido nas indicações ao Oscar”, disse em entrevista à Jovem Pan.

Uma coisa que ele fez questão de destacar é que o problema não foi o desempenho dos atores negros em 2015. “Esse ano a gente teve grandes performances fornecidas por atores negros. De Michael B. Jordan, no ‘Creed’, Idris Elba ‘Beasts Of No Nation’”, conta. “Não é proposital, mas acaba sendo mais ofensivo ainda que nesses filmes cuja história gira em torno de negros os indicados são brancos, como o Sylvester Stallone”.

Ainda nesta semana, Charlotte Rampling, indicada ao prêmio de Melhor Atriz, chegou a afirmar que o boicote se trata de racismo contra brancos, alegando que alguns atores negros não merecessem a indicação. Villaça discorda.

“É muito fácil você falar que as minorias estão de mimimi ou vitimismo se você faz parte de uma classe privilegiada que nunca teve de lutar por papéis. Eu acho que ela caiu nesse problema, é uma falta empatia. Como ela nunca enfrentou esse problema, acha que ninguém enfrenta”, argumentou.

Nesta sexta-feira (22), a Academia anunciou que mudará até 2020 seus integrantes, incluindo mais mulheres, negros, latinos e asiáticos entre os votantes para as premiações. Outra medida anunciada é que membros que não trabalham mais na indústria cinematográfica não devem mais votar. Villaça, entretanto, discorda desta última parte.

“Se o propósito é acabar com o racismo institucional, isso não tem nada a ver. Porque parte do pressuposto que a pessoa por ser idosa é racista. Mas isso mostra que a Academia está preocupada”, disse.

Um dos motivos para ficar ansioso para o Oscar, segundo Pablo Villaça, é a escolha de Chris Rock como apresentador da premiação. “A Academia já estava esperando problemas nesse sentido. Então eu acho que foi por isso que eles escalaram um ator negro para apresentar a cerimônia e eu tenho certeza que ele vai fazer piada com isso o tempo inteiro”, garantiu o crítico. “Ele sabe que vai ter oportunidade de falar para um bilhão de pessoas, e é uma vitrine muito grande”.

O Oscar será realizado no próximo dia 28 de fevereiro.