Da luta à imaginação; de Hakuna Matata a Descartes: os enredos da primeira noite de carnaval de SP

  • Por Jovem Pan
  • 01/03/2019 23h05 - Atualizado em 01/03/2019 23h23
Luis Moura/Estadão ConteúdoSete escolas passam pela avenida paulistana do samba na primeira noites de desfiles do grupo especial

O carnaval paulistano começou oficialmente às 23h15 desta sexta-feira, dia 1º de março de 2019. Até o início da manhã de sábado (2), sete escolas de samba do grupo especial vão desfilar pela passarela do sambódromo, na zona norte. Os enredos vão do Quênia, com referência a Timão e Pumba, à imaginação, com o filósofo René Descartes.

Nesta ordem, passarão pela passarela do samba: Colorado do Brás, Império de Casa Verde, Mancha Verde, Acadêmicos do Tucuruvi, Acadêmicos do Tatuapé, X-9 Paulistana e Tom Maior. Há possibilidade de chuva ao longo dos desfiles, mas isso não deve esfriar a torcida das cerca de 30 mil pessoas que devem prestigiar as agremiações.

Colorado do Brás

Com vermelho e branco, a agremiação vai abrir os desfiles do carnaval paulistano com um samba-enredo que vai homenagear o Quênia, país africano que tem mais de 44 milhões de habitantes. O título – “Hakuna Matata, isso é viver” faz referência a uma frase dos personagens Timão e Pumba, do filme “O rei leão”.

“Espíritos guerreiros, giram nos terreiros
Místicos em tradições e rituais
Que unem continentes, abrigam sua gente
África orgulha seus ancestrais”


Império de Casa Verde

“O império contra-ataca” na Império de Casa Verde, escola de samba da zona norte de São Paulo que já venceu o carnaval em três oportunidades. A alusão à saga “Star Wars” faz parte de uma homenagem – pensada pelo carnavalesco Flávio Campello – aos 124 anos do cinema. Em 1895, August e Louis Lumière fizeram a primeira projeção, em Paris (França).

“A batalha do bem e do mal entra em cena
Toda fantasia invade o cinema
Tem bruxaria no ar, mil maravilhas contar
É aventura, ninguém segura”


Mancha Verde

No verde e branco da Sociedade Esportiva Palmeiras, a Mancha vai contar a história de uma princesa africana e retratar lutas de Aqualtune – a avó de Zumbi dos Palmares – por direitos de negros e mulheres. A escola também vai falar de escravidão intolerância religiosa no samba: “Oxalá, salve a princesa! A saga de uma guerreira negra”.

“A alma que chora, a pele que sangra
Qual será o meu valor?
Entrego minha vida
Rainha do mar, Iemanjá”


Acadêmicos do Tucuruvi

A liberdade é um dos temas mais tratados nos hinos brasileiros. O carnavalesco Dione Leite, da Acadêmicos do Tucuruvi, percebeu esse detalhe e vai promover estreia na agremiação da zona norte paulistana com o tema: “Liberdade, o canto retumbante de um povo heroico”. A luta pela liberdade será abordada ao longo da história do Brasil.

“Tucuruvi espalha um canto pelo ar
Vai ecoar, vai ecoar
Meu brado é forte, quero mudança
Avante filhos da esperança!”


Acadêmicos do Tatuapé

Atual bicampeã do carnaval de São Paulo, a Acadêmicos do Tatuapé traz da zona leste um samba sobre guerreiros. O enredo – do carnavalesco Wagner Santos – vai abordar a história brasileira para homenagear os brasileiros, guerreiros do cotidiano. O título é: “Bravos guerreiros – Por Deus, pela honra, pela justiça e pelos que precisam de nós”.

“Do céu a mensagem de paz
Diz que o sonho não tem fronteiras
É amar e amar sem pensar
Fazer o bem a cada manhã”


X-9 Paulistana

A tradicional X-9 Paulista vai homenagear um dos nomes mais importantes da música brasileira: Arlindo Cruz. O cantor, que se recupera de acidente vascular cerebral desde 2017, completou 60 anos em setembro passado e não vai desfilar. O título é: “O show tem que continuar! Meu lugar é cercado de luta e suor, esperança num mundo melhor”.

“Samba de arerê pra você voltar
Zona Norte é Madureira
Ando louco de saudade, olha o povo pedindo bis…
Ainda é tempo de viver feliz!”


Tom Maior

Em tom maior, o carnavalesco André Marins decidiu colocar no samba-enredo uma frase do filósofo e matemático francês René Descartes: “Penso. Logo existo. As interrogações do nosso imaginário na busca do inimaginável”. A escola promete levar à avenida os principais questionamentos humanos, assim como a sede de conhecimento e a curiosidade.

“De onde vim? Pra onde vou?
Eis o mistério a resolver
O amanhã, não sei, o que será
Quem irá me responder?”