“Escrever é um ato que deve resultar de uma paixão e constante sentimento”, acredita Nélida Piñon

  • Por Jovem Pan
  • 21/02/2015 14h47

A escritora brasileira Nélida Piñon foi homenageada na Espanha, nesta semana, ao receber o prêmio El Ojo Crítico Iberoamericano das mãos do ministro da Educação daquele país. “Escrever é um ato que deve resultar de uma paixão e constante sentimento”, resumiu a escritora que tem mais de 20 livros publicados em 13 países.

Em entrevista à Jovem Pan, a artista carioca contou como funciona seu processo de criação literária. “Diariamente eu escrevo na minha casa e no meu escritório. Tenho um projeto que já comecei e estou no meio. (Me dedico a) prosseguir ou inaugurar um projeto”, revelou. Primeira mulher a assumir a presidência da Academia Brasileira de Letras em 1996, Nélida foi homenageada dois anos depois com o título de doutora honoris causa na Espanha, concedido pela primeira fez a uma mulher em mais de 500 anos. Outros países, como México e Chile, também premiaram a brasileira com o mesmo título.

Apesar do posto de destaque na América do Sul e Europa, a artista revelou não ser fã da primeira presidente mulher do Brasil, Dilma Rousseff. “Eu não sou uma admiradora dela, ela pode ter tido conhecimento técnico, mas não tem vocação política, não é uma estadista”, considerou.

“Todos os nossos presidentes não deram a devida atenção e cuidado para a Educação, que é muito capenga no Brasil. É realmente uma perna que nos falta. A Educação deveria, não apenas no mandato dela, mas em todos que a antecederam ter sido (o investimento) mais importante, já que nenhum pode prosperar se não com a Educação”, disse Nélida Piñon.

Regressando ao Brasil após uma temporada na Europa, a escritora disse que os recentes escândalos de corrupção mancham a imagem do Brasil no exterior. “O escândalo da Petrobras macula todos os seres incluídos nesse processo de Administração e Poder. Estamos vivendo um momento muito penoso da cidadania brasileira, o Brasil inteiro está envergonhado”, finalizou.

*Ouça a entrevista completa no áudio acima