“Eu sou lésbico, gosto de mulher que gosta de mulher”, brinca Mr. Catra

  • Por Jovem Pan
  • 27/10/2015 14h39
Rafael Souto / Jovem Pan Mr. Catra no Pânico “Eu sou lésbico

Com 25 anos de carreira, Mr. Catra tem viajado pelo Brasil com os shows do DVD que gravou no fim do ano passado e que contou com a participação de diversos artistas.

“Juntei a rapaziada, fui no mundo da música e pensei ‘vou formar uma seleção’, aí chamei os caras e deu nisso aí, foi muito louco”, resumiu, em entrevista ao Pânico nesta terça-feira (27).

Aos 45 anos, fora dos palcos ele também alcançou outro marco: 3 esposas e 32 filhos. O que costuma gerar muitas piadas entre os fãs, mas que o cantor trata com muita naturalidade.

“Sabe o que acontece, gente. As pessoas querem saber de porque tem um montão de filho, a família grande, mas não quer saber o que acontece. A minha vida não é uma bagunça. De coração, todo o povo árabe não é uma bagunça, os caras conhecem toda a descendência deles, a gente não conhece nem nosso tataravó, como podemos julgar de organizada uma sociedade desta? Planta sem raiz, morre”, justificou.

Questionado ainda sobre sexualidade e como lida com a convivência e o ciúme entre as companheiras, ele é categórico:

“Eu acho que mais viados são aqueles que são homofóbicos, o cara faz isso porque tem medo do que ele quer. Quem não tem problema, sabe do que gosta, leva na boa. Eu sou lésbico, gosto de mulher que gosta de mulher, que é para não dar intimidade pra homem. Ciúme é coisa de mulher pobre, mulher rica compartilha”, disse, com a risada que já lhe é característica.

Funk

Referência no mundo do funk, tanto para o público quanto para os Mcs, Mr. Catra é um dos poucos nomes que se mantém há tanto tempo no auge.

“Você acha que funk é o que? Funk é milagre. Eu faço parte de uma cultura. Ninguém nunca parou para pensar que quando pararam o funk pela primeira vez, no final dos anos 90, deixaram 200 mil pessoas desempregadas. Acabou com o lazer e aumentou a violência”.

Defensor assíduo, ele criticou a criminalização do estilo, feito em grande parte pela mídia, e a pouca valorização de nomes antigos como a dupla Cidinho e Doca.

“O funk era coisa de pobre e rave era coisa de doidão com dinheiro. Funkeiro era que nem bandido. Botaram cantores na cadeia, perseguiram, assassinaram e eu não vi ninguém se levantar e falar, ‘vem cá, e as famílias que foram prejudicadas com isso aqui’? Hoje o movimento é resistência. Sabe o que é triste? Os meus ídolos no funk estão catando latinha. Isso é o maior esculacho”, completou.