Mangueira ‘tira a poeira’ da história do Brasil com personagens esquecidos e homenagem a Marielle

  • Por Jovem Pan
  • 05/03/2019 05h57 - Atualizado em 05/03/2019 06h06
WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDOComissão de frente da Mangueira já impressionou o público da Sapucaí nesta terça (4)

A Mangueira foi a penúltima escola a entrar na Marquês de Sapucaí na madrugada desta terça (5), no Rio.

O enredo “História pra ninar gente grande” contou as narrativas desconhecidas sobre a história do Brasil. Mulheres, negros e índios fundamentais para nossa história foram exaltados pela escola.

Logo na comissão de frente, a Mangueira desconstruiu os heróis consagrados pelos livros fazendo eles saírem de quadros para evidenciar como são pequenos quando comparados aos personagens esquecidos.

Ao longo do cortejo, diversas figuras nacionais negras foram exaltadas: Luís Gama, Aleijadinho e Chico da Matilde foram algumas delas.

A cantora Leci Brandão foi destaque como Luiza Mahin, líder da Revolta dos Malês. Já Alcione encarnou Dandara dos Palmares, ao lado de Nelson Sargento como o Zumbi.

À frente da bateria Sapiência Negra, a rainha Evelyn Bastos representou a escrava Esperança Garcia, considerada a primeira mulher advogada do Piauí ao relatar por escrito as violências que sofria e encaminhar ao governador do estado.

No carro “A história que a história não conta”, a Mangueira pediu que quatro professores reescrevessem fatos importantes do Brasil sob uma perpectiva atualizada. “Ditadura assassina” estava escrito na frente da alegoria, que trouxe também Hildgard Angel, filha de Zuzu Angel, que teve um irmão assassinado na ditadura militar.

Em sua última ala, a Mangueira prestou homenagem à Marielle Franco, vereadora executada dia 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. A viúva Mônica Benício esteve a frente da ala, que trouxe os rostos de Marielle, Cartola, Carolina de Jesus, Jamelão e Mussum em verde rosa.

Uma bandeira do Brasil nas cores da escola também foi levada para a Sapucaí: a inscrição “Índios, negros e pobres” substituiu a de “Ordem e Progresso”.