Moradores da Vila Madalena relatam cenas de violência e caos durante Carnaval

  • Por Jovem Pan
  • 15/02/2015 15h07

Imagens gravadas por morador da Vila Madalena mostram jovens arremessando garrafas em direção à sua casa na sexta (13); veja vídeo abaixo

Imagens gravadas por morador da Vila Madalena mostram vândalos arremessando garrafas em direção à sua casa

Moradores da Vila Madalena, um dos bairros mais famosos da cidade de São Paulo, têm reclamado do excesso que foliões têm praticado em vias públicas nesse Carnaval. São histórias de drogas legais e proibidas circulando livremente, sexo em público, garrafas quebradas, muita sujeira e sons altos em carros que perturbam o sossego de moradores da região.

Em entrevista ao repórter da Jovem Pan Tiago Muniz, o coordenador da Assossiação SOSsego Vila Madalena, Tom Green, designer inglês que vive há muitos anos na Vila Madalena, relata várias depredações no bairro em geral. Ele fala sobre medo de denunciar drogras, temendo “represálias e até a morte”. Mesmo assim, ele diz ter recolhido um saco inteiro de embalagens de drogas. “O mais preocupante para mim é a venda excessiva de drogas legais, como o álcool”, afirma.

Green conta que foliões ficaram até as 4h da manhã nas ruas, quando foram retirados por um cordão de policiais deste sábado para domingo. Na madrugada de sexta, porém, a situação foi bem mais tensa. “Sexta-feira 13, dia propício, fomos sitiados em casa e atacados com pedras e garrafas. Ainda bem que minha casa tem dois andares e eles não conseguiram entrar na casa”, conta. O morador registou vídeo do momento do ataque (veja abaixo).

Para ele, não há motivos específicos da violência gratuita. “A festa vai juntando as pessoas e, com fome, o tempo vai passando e rapidamente fica fora de controle”. Green relata também que “a CET não coibiu a entrada dos carros de som” e sobre a ausência de policiais.

Eke ressalta, entretanto, que “em geral tem sido difícil para a polícia no bairro”. “É uma quantidade de pessoas muito grande, o bairro não tem infraestrutura nenhuma para receber esse tipó de evento”, avalia. “A polícia fica até com receio de agir porque qualquer faísca nesse explosivo pode ser fatal”, teme.

A repórter Giulia Simcsik ouviu mais relatos e reclamações de moradores do bairro. Uma senhora da região diz: “Meu jardim está cheio de garrafas jogadas. Nunca vi tanta bandalheira, é drogas, uma vergonha, pessoas fazendo sexo na rua. Começou na Copa, e depois virou um lixo”.

Green concorda que ficou pior depois da Copa, quando cenas semelhantes foram registradas. “Autorizaram vendedores ambulantes de bebida e não definiram os dias de festa”, lamenta. “É a morte da vida comum do bairro”, conclui.