Mostra reúne 120 originais de Debret, francês que retratou o Rio do século 19

  • Por Agência Brasil
  • 04/03/2015 21h29
Obras de Jean-Baptiste Debret ficam em exposição no Rio de Janeiro até o dia 3 de maio de 2015

A agenda cultural das comemorações dos 450 anos do Rio de Janeiro não poderia deixar de fora o pintor francês Jean-Baptiste Debret, que na primeira metade do século 19 revelou ao mundo, por meio de suas pinturas, gravuras e desenhos, a vida cotidiana da então exótica cidade dos trópicos. Coube ao Centro Cultural dos Correios a inclusão do artista na programação oficial do aniversário, por meio da exposição O Rio de Janeiro de Debret, aberta na noite desta quarta-feira (4) para convidados. A mostra reúne 120 obras originais, pertencentes ao acervo dos museus Castro Maya, localizados nos bairros de Santa Teresa e Alto da Boa Vista.

A exposição, que será aberta nesta quinta-feira (5) ao público, constitui rara oportunidade para o visitante apreciar essas obras em seu conjunto, já que somente uma parte do acervo fica em exibição permanente na Chácara do Céu, em Santa Teresa. Para a curadora da mostra, Anna Paola Baptista, Debret foi fundamental para a forma como o mundo passou a ver o Rio de Janeiro e o Brasil.

“Os desenhos e as gravuras eram a única forma de as pessoas conhecerem lugares distantes, e os europeus tinham muita curiosidade por esses locais exóticos do Novo Mundo, como o Brasil”, diz Anna Paola. “Debret é o cronista maior da vida brasileira na primeira metade do século 19. Ele acompanhou e documentou visualmente o início do Brasil como nação independente, e especialmente o Rio de Janeiro”.

Dos 80 anos de sua vida, o artista passou 15 na cidade que, por ocasião de sua chegada, em 1816, abrigava a corte portuguesa, trazida da Europa. Jean-Baptiste Debret já era pintor renomado na França quando veio para o Brasil. Fez sua carreira em torno da glorificação de Napoleão Bonaparte, pintando quadros que retratavam as vitórias militares do imperador.

Com a derrota de Napoleão, ele ficou sem espaço em seu país e aceitou o convite de dom João VI para integrar a missão artística que viria ao Brasil para criar uma escola de belas artes.  A morte do único filho, aos 19 anos de idade, também contribuiu para a decisão de Debret de deixar a França.

Pintor oficial da corte e professor da Escola de Belas Artes, que ajudou a criar, Debret aproveitava as horas livres para retratar o cotidiano. “Ele já pensava no livro que iria lançar, e foi para dar continuidade ao projeto que decidiu retornar à França, em 1831”, conta a curadora.

A partida ocorreu no mesmo ano em que o imperador dom Pedro I abdicou do trono em favor de seu filho, dom Pedro II, na época uma criança. O livro de Debret, Viagem Histórica e Pitoresca ao Brasil, em três volumes, foi publicado em 1834, na França.

A importância do artista, responsável por apresentar o Brasil à Europa, posteriormente se voltou para o próprio país que retratou. “Ele se tornou um cronista do nosso passado. Nós passamos a imaginar o Rio do início do século 19 por meio das gravuras de Debret. Seus desenhos ilustram, há gerações, os livros didáticos de história do Brasil”, destaca Anna Paola Baptista.

Serviço:
Exposição “O Rio de Janeiro de Debret”
De 5 de março a 3 de maio
Visitação de terça a domingo, das 12h às 19h
Entrada franca
Centro Cultural Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20
Rio de Janeiro