Fã de Taylor Swift acampa um mês antes de venda de ingresso; psicóloga explica comportamento

  • Por Leonan Oliveira/Jovem Pan
  • 21/09/2019 10h10
ReproduçãoShow de Taylor Swift fez fã acampar um mês antes de venda de ingressos

Nesta semana, depois que foi anunciado que Taylor Swift desembarcaria no Brasil para shows em julho de 2020, uma ‘denúncia’ chamou a atenção e viralizou na internet: uma fã já está acampada na frente do local de venda de ingressos. O curioso (ou preocupante) é que a venda está programada para começar só no próximo mês. 

Por meio de um tweet, um internauta contou que se deparou com a fã adiantada quando foi até o ponto de vendas para comprar ingresso para outro artista. “Eu tô chocado”, escreveu. 

 

Acampar para conseguir os melhores lugares em uma apresentação não é exclusividade dos fãs de Taylor Swift. Em 2017, por exemplo, um número considerável de jovens passou cerca de 6 meses em frente ao Allianz Parque esperando a apresentação de Justin Bieber. 

Na época, o grupo – muito criticado – fez uma publicação nas redes sociais para explicar que, embora fosse um esforço muito grande, tudo ‘valia a pena’. 

 

Mas, afinal, o que motiva jovens a passarem meses na rua – com sol e chuva – a espera de um show?

Felipe Ferreira, estudante de 22 anos, passou cerca de 45 dias acampado esperando o show de Katy Perry, em São Paulo. Ele conta que tomou a decisão como forma de garantir um bom lugar e que todo o esforço valeu a pena quando o dia da apresentação finalmente chegou. “Além de ser uma história pra contar, uma aventura jovem, a gente acaba fazendo muitos amigos e os dias lá acabam ficando divertidos. Depois dá até saudade”, disse.

No entanto, nem toda história de acampamento termina de maneira feliz, como a de Felipe. Em 2018, depois que dezenas de fãs já haviam passado alguns dias na frente do Allianz Parque, Demi Lovato cancelou sua apresentação no Brasil por conta de problemas de saúde e jogou um balde de água fria naqueles que esperavam ansiosamente – já em fila – pelo show. 

A estudante Samantha Chaggas, de 20 anos, contou que a organização dos fãs começou logo após o anúncio da produtora do evento. “Acampamos para comprar o ingresso e já ficamos para o tão esperado show”, lembrou. 

“Era muito cansativo, tinha que montar escala, procurar alguém pra cobrir quando outra pessoa faltava, às vezes brigávamos entre si, mas depois tudo dava certo”, disse. “A parte ruim é quando chovia e acabava entrando água ou quando tinha jogos e tínhamos que dormir na praça ao lado do Allianz”, completou.

Quando a apresentação foi cancelada por conta da saúde da cantora, Samantha contou que o grupo já estava acampando por cerca de 3 meses. “Ficamos frustrados pelo tempo que ficamos e o show cancelado, mas a preocupação era imensa e a única coisa que importava era o bem estar dela”. “Foi um caos”, contou. 

 

O que dizem os especialistas?

A realização de sonhos é uma questão super positiva, mas até que ponto é saudável para uma pessoa, especialmente jovens, depositar sua felicidade e metas em um ídolo?

A psicóloga Adriana Severine, especialista em comportamento humano, contou, em entrevista à Jovem Pan, que é normal termos ídolos porque nos identificamos com a imagem que eles nos passam através de seus trabalhos. 

“Sentimos que esses artistas dão voz aos sentimentos que temos, que conseguem nos entender. Muitas vezes acreditamos que são os únicos que nos “entendem de verdade”, como se lessem nossa mente”, explica. 

Para ela, o perigo começa justamente quando começamos a desenvolver uma relação unilateral – quando passamos a acreditar que o sentimento por determinado artista tem retorno. “Nesse momento, a atenção da família e dos amigos é importantíssima para perceber em que momento a pessoa para de se referir à pessoa famosa como alguém distante de seu convívio social real e começa a fantasiar como se fosse um amigo real”, disse. 

“A pessoa fica tão obcecada em ser reconhecida e amada como amiga desse ídolo, que não mede esforços para estar perto. Passa dias em uma fila de show para estar bem próxima do palco e faz questão de que seu ídolo saiba do seu sacrifício e dedicação, pois, para ela, significa amor”, disse.

Perguntada sobre o que pode potencializar esse sentimento, Adriana conta que existem vários fatores. “Idealização da pessoa, desejo de ser igual, sentir-se compreendido, solidão…”. “Nesse estágio é importante buscar ajuda profissional para que a pessoa consiga entender que o ídolo, apesar de ser uma pessoa real, não é seu amigo”, alerta.