Fábio Brazza faz freestyle no Pânico: ‘o ódio dos dois lados tão querendo puxar o gatilho’

  • Por Jovem Pan
  • 06/11/2018 14h17 - Atualizado em 06/11/2018 16h02
Reprodução/FacebookPara o rapper, Bolsonaro tem discurso fascista e autoritário

Convidado desta terça-feira (5) no Pânico na Rádio, o rapper Fábio Brazza cantou e discutiu com o comentarista e jornalista Felipe Moura Brasil sobre o tema: um país pós-segundo turno. Brazza aproveitou as críticas a Bolsonaro para reiterar uma posição crítica aos discursos do presidente eleito.

“Acho que o Bolsonaro tem traços fascistas em seu discurso quando defende autoritarismo, quando ataca minorias. Eu acredito que estamos em uma fase da democracia em que estamos discutindo e estudando até os deputados em quem vamos votar, mas o lado ruim é que se criou os extremismos de esquerda e direita, mas não dá para sermos todos passivos”, refletiu.

Não é novidade, para quem acompanha Brazza ou Moura, que há divergências de ideias na esfera política e social entre eles, mas durante o programa o diálogo mostrou convergências inesperadas ligadas, por exemplo, a questões econômicas. O rapper pontou que se sente mais ligado à direita quando o assunto é economia.

Apesar das críticas a Bolsonaro, o cantor demonstra entusiasmo ao falar sobre a vontade dos brasileiros em discutir e acompanhar a vida política de seus candidatos. “Eu acredito que estamos em uma fase da democracia em que estamos discutindo e estudando até os deputados em quem vamos votar, mas o lado ruim é que se criou os extremismos de esquerda e direita, mas não dá para sermos todos passivos e vamos ser amigos”, pontuou.

O cantor ainda aproveitou para fazer ressalvas sobre causas sociais, âmbitos que costumam ser atacados por parcelas da população que ligam minorias diretamente ao Partido dos Trabalhadores ou a movimentos de esquerda. “As causas sociais não são causas pequenas, a violência e desemprego afetam mais as mulheres e negros, eles não passam em empregos, muitas vezes, pela cor da pele. Eles tomam tiro. Isso é importante, e a luta do rap é mostrar que isso é importante, que afeta nossa segurança. Só porque o Bolsonaro comparou negro com gado? Isso é ‘só’ para gente, mas para quem sofre [com racismo] não é um ‘só’”, apontou.

No fim do programa, Brazza fez um rápido freestyle com algumas palavras chave escolhidas pela bancada do Pânico na Rádio e concluiu, como é de costume em suas músicas, com críticas sociais, “’Tá’ complicada eleição, né Emílio? O ódio dos dois lados ‘tão’ querendo puxar o gatilho, mas aqui todo mundo se respeita, e é só no Tinder ‘memo’ que eu ’tô’ puxando pra direita. Pra finalizar a história, só quem se deu bem mesmo foi João Doria”.