No revival do emo, Fresno briga para não virar um produto nostálgico

Em entrevista à Jovem Pan, Lucas Silveira fala sobre a nova fase da Fresno e show no Lollapalooza

  • Por Caio Menezes
  • 09/03/2020 16h49
Divulgação/Camila CornelsenEm entrevista à Jovem Pan, Lucas Silveira fala sobre a nova fase da Fresno e show no Lollapalooza

Com 20 anos de carreira, a Fresno já viveu várias fases da música brasileira. Agora, a banda gaúcha vê o gênero que ajudou a tornar popular no Brasil nos anos 2000, o emo, voltar com força de revival. Isso pode ser bom para a maior parte dos grupos que estouraram na cena naquela época, mas, para a Fresno, é mais uma armadilha.

Em entrevista por telefone à Jovem Pan, o vocalista Lucas Silveira mostrou que entende por que o emo voltou aos holofotes nos últimos anos. Para ele, o revival tem a ver com a nostalgia de quem viveu aquela fase. “Esse público [fã do emo dos anos 2000] está fazendo 30 anos, tem nostalgia da adolescência”, explicou.

Mas, em vez de surfar na onda, a Fresno não quer ser engolida por ela. “A gente briga para a banda não ser um produto nostálgico”, afirmou Lucas.

A banda está vencendo a luta. Em 2019, a Fresno lançou o álbum “Sua Alegria Foi Cancelada”, o oitavo da carreira e o primeiro desde 2016. O disco, elogiado nacionalmente, fez com que o grupo chegasse a lugares que nunca havia chegado nos 20 anos de carreira. Em vez de apenas agradar aos emos nostálgicos, o lançamento atraiu até gente que torcia o nariz para a banda.

Lucas entende que “Sua Alegria Foi Cancelada” é resultado de uma “evolução gradual” da banda, mas ressalta que o trabalho foi “apresentado de uma maneira diferente”. “É muito fácil cair na fórmula da zona de conforto”, disse sobre o desafio de inovar.

Na estrada desde 1999, a Fresno nunca chegou a correr o risco de se tornar uma banda irrelevante. Por mais que os álbuns “Ciano” (2006), “Redenção” (2008) e “Revanche” (2010) tenham sido os mais famosos da carreira do grupo, tudo que eles fizeram depois foi abraçado pelos fiéis fãs. “Nosso público mais forte nunca deixou de acompanhar”, explicou Lucas.

Para o músico, há uma fórmula para cativar os fãs. “Falar a verdade na música, entender quem é o público e comunicar com ele”, disse o cantor. Isso, somado a um bom álbum que despertou a curiosidade até em quem talvez não soubesse que a banda ainda existia, explica por que o grupo, mesmo 20 anos depois, segue chegando a novos lugares.

Uma das portas que o disco abriu para a banda foi a do Lollapalooza. O festival chega à 9ª edição no Brasil, mas esta será a primeira em que a Fresno tocará. “[O álbum] Colocou a banda no radar dos curadores”, explicou Lucas, sem esquecer que a banda também segue levando muito gente para os shows, o que faz os olhos dos produtores brilharem.

Os gaúchos chegam ao festival paulistano como um dos grandes nomes brasileiros do lineup e uma das poucas bandas de rock nacional que vão se apresentar – ao lado de Terno Rei e Menores Atos.

O vocalista acredita que a presença de artistas brasileiros no Lolla desenvolve a música nacional, mas reforça que a importância dada a eles nas últimas edições só aumentou após muita luta. “Se não houvesse pressão, provavelmente só teria banda internacional”, disse.

A Fresno se apresenta no último dia de Lollapalooza Brasil, domingo, 5 de abril. Os horários serão divulgados pela organização nesta terça-feira (10).