Perrengues, assalto e xingamentos: fãs fazem loucuras para ver Justin Bieber

  • Por Jovem Pan
  • 31/03/2017 18h32
Letiares/Jovem Pan

Após quase seis meses enfrentando sol, frio, chuva e agressões, a “agonia” dos fãs de Justin Bieber está próxima do fim. Neste final de semana, 1º e 2 de abril, o músico vai se apresentar com a turnê Purpose, no Allianz Parque, em São Paulo. A Jovem Pan foi conferir as loucuras dos verdadeiros “beliebers”, como são chamadas os fãs do cantor teen. Será que vale tudo para ver Justin de pertinho? A maioria dos que estão acampados na fila, acredita que sim.

No grupo de mais de 30 pessoas, que está na primeira barraca da fila para garantir um lugar junto à grade, Rodrigo Ruller revela que a ideia nasceu antes mesmo de anunciarem a pré-venda dos ingressos em outubro. “O nosso grupo começou a acampar mesmo desde setembro. Só que ninguém sabia que o Justin ia vir. A gente estava aqui acampando para o Z Festival, que ia ter o show da Demi Lovato. Quando o Justin foi anunciado em outubro, aí compramos ingresso e tivemos a ideia de formar um grupo e acampar juntos”, explica.

A adoração pelo cantor é tanta, e se não bastasse os quase mil reais gastos com ingressos e suprimentos para tentar garantir o melhor lugar do show, que o jovem também foi ao show do Rio de Janeiro, na última quarta-feira. “No Rio, eu gastei R$ 900,00 no ingresso. Já aqui foram R$ 375,00 no primeiro show (meia-entrada) e o outro foi R$ 450,00”, revela.

Quando questionado sobre o que os pais acharam da ideia, o jovem diz que não foi fácil convencê-los. “Meus pais falaram um monte e acham que é uma loucura. Acharam que era só passa-tempo e depois viram que era sério. Eles só aceitaram”, completa.

Chutes, fast-food e futebol  

A adolescente Ingrid Vitória, de 15 anos, está com outras 30 amigas na barraca B2, denominação dada pelos fãs conforme a ordem de chegada, e desde 30 de dezembro só tem se alimentado de biscoito, salgadinho e lanches. “A gente teve que comer muito fast-food porque uma marmita é R$ 30,00. Então todo dia eu comia lanche. Eu até comecei a sentir dor no estômago e engordei”, conta a auxiliar-administrativa.

Não bastasse as dificuldades com a alimentação, as “beliebers” também enfrentavam outros contratempos, como nos dias de jogos do Palmeiras, proprietário do estádio. “Quando tinha jogo nós tínhamos que desmontar as barracas para o pessoal entrar. Só que desmontávamos dois dias antes. Aí, tínhamos que dormir três dias na rua, literalmente na rua, sem nada só com cobertor”, conta.

Segundo Rodrigo Ruller, esses meses foram difíceis, mas nada que tire a empolgação para ver o ídolo pop. “A gente já sofreu muita coisa, assalto, chutes, pedradas e xingamentos. O nosso grupo tem 30 pessoas, e dessas, duas dormiam aqui a cada noite e fomos revezando”.

O fã conta que uma das amigas teve a barraca invadida e o celular roubado. “Naquela época só tinham três barracas aqui, aí o cara simplesmente abriu a barraca e pediu para ela passar o celular”, recorda.

“Para dormir, normalmente nós ficamos em cinco ou seis pessoas. Já aconteceu de tacarem uma pedra e uns torcedores passaram falando que iam matar todos os gays que estivessem aqui. Ligamos para a polícia e fizemos a ocorrência”, completa Ingrid Vitória.

Amigos, amigos…

No entanto, Rodrigo Ruller garante que o espírito de irmandade entre os acampados fica apenas do portão para fora. “Já está organizado e vai ter a fila dos primeiros. Mas na hora de entrar ninguém vai ser amigo de ninguém. É correr e pegar o melhor lugar para poder ver o Justin”, ressalta.

Para o estudante de direito, Davi Viera, o único pensamento após passar o portão é: “correr, correr e correr. A nossa meta é ver o Justin de perto. Eu fui na Believe Tour, em 2009. Cheguei a ficar a duas pessoas da grade, mas desmaiei, passei mal e acordei na ambulância. Nessa Purpose Tour, eu falei para a minha família: ‘posso passar mal, mas eu não saio da grade’”, disse o morador de Santos, que conheceu o grupo da sua barraca pelo Twitter.

A adolescente Maria Clara Pissiaia também sofreu assim como o colega Davi, mas ela reconhece que deu o seu máximo pelo ídolo. “Em 2013, eu consegui pegar grade porque acampei sozinha, me perdi da minha mãe e comecei a passar muito mal. Fui parar lá no fundo e comecei a chorar muito. Não tem o que fazer é o limite do meu corpo”,

Já agora em 2017, Maria Clara revela que os percalços são os mesmos e até precisou trocar o colchão e a barraca por conta da chuva. Inclusive, o cansaço já está batendo, porém nada que diminua o desejo de ver o ídolo. “A animação já está a mil e a gente já não dorme há duas semanas”, completa.

Mãe também curte

Para Nelci Rinaldi, moradora de Rio Claro, interior de São Paulo, nada pode ser maior do que o desejo de realizar o sonho da filha Daniele, uma belieber assumida. “A gente também gosta, mas é mais por ela. Deixei em casa marido, outro filho, gato e cachorro. A gente vem junto para acompanhar e ver o que está acontecendo”, conta.

Na fila há 16 dias, as duas viram também uma oportunidade de angariar recursos e, de certa forma, reduzir custos para ver o cantor. “Eu sempre fui nos shows e da última vez que ele veio eu fiquei na fila quatro dias. Então tivemos um plano de vender camisetas para ter um dinheiro legal. Não só gastar, mas também se manter”, revela Daniele, que atualmente faz curso para comissária de bordo.

Até o momento, elas conseguiram vender 200 camisetas, cada uma a R$ 40. No entanto, o valor pago pelo ingresso de pista premium é de R$ 2 mil. “Eu venho guardando um pouquinho por mês para quando ele chegar”, explica a jovem.

Ao lado de outras 30 colegas de barraca, mãe e filha também alugaram um quarto próximo ao estádio, onde deixam as coisas e tomam banho. O custo total da brincadeira? Passa facilmente dos R$ 3 mil. “Tudo foi guardado com muito trabalho. Sacrificamos muitas coisas para realizar o sonho dela”, revela Nelci. “O pessoal do meu trabalho acha que é loucura e diz que sou doida. Só que eu respondo para eles que só quem está aqui mesmo sabe como é”, diz a jovem Daniele.