O vinho não está bom? Devolva sem constrangimentos; saiba como

  • Por Marina Ogawa/Jovem Pan
  • 23/08/2015 13h56
cartas de vinhos e as safras

“Fui a um restaurante, pedi ao sommelier que me indicasse um vinho. Até aí, tudo bem. Mas quando o vinho chegou e experimentei, eu não gostei”.

Você já se pegou nesta situação? O que você fez?

O enólogo Esper Chacur tem a resposta certa: “devolva o vinho”. Isso mesmo que você leu. Você pode devolver o vinho caso não tenha gostado dele.

– Mas e o constragimento?

Amante de vinhos, o arquiteto João Ferreira do Ó, afirma que se sente constrangido em fazer a devolução. “Para isso é preciso que seja um bom entendedor, porque se houver um questionamento do outro lado você tem que saber responder”, diz.

Não é bem assim. Você está no seu direito de consumidor. Mas o enólogo aconselha que a pessoa tenha uma opinião formada e firme. “Você deve expor que não gostou. Toda vez que pede a orientação do sommelier você pressupõe que é um profissional treinado e que vai procurar saber do seu gosto para te sugerir algo que alcance sua expectativa e harmonize com a comida que você pediu. Se você não gostou, a culpa é dele. Ele atraiu para ele a responsabilidade”, explica.

– E se eu mesmo pedi e não gostei?

“Se você pediu um vinho e acabou não gostando, eu entendo que você não deve devolver. Agora, se você pediu um vinho e ele está com defeito, você tem obrigação de devolver”, responde Esper Chacur.

– E como seria um vinho com defeito ?

“Você pega um vinho e sente ele com aroma de vinagre, você não precisa nem provar. Não vai estar bom. Agora você pega um vinho e ele tem aromas bons e o coloca na boca e está com gosto claramente alterado, você pode devolver independente de você ter escolhido, do sommelier ter escolhido ou do preço do vinho”, pontua Esper Chacur.

O administrador Samuel Yanase já passou por uma situação de receber um vinho estragado. “Há dois ou três anos, em Fortaleza, ao experimentar o vinho percebi que estava avinagrado. Percebi também que a rolha estava ressecada”, relembra. Na época, Samuel pediu a troca do vinho e a segunda garrafa veio da mesma maneira. Desta forma, ele desistiu da bebida.

Segundo Esper Chacur, essa é a melhor atitude a se ter quando um vinho não lhe é servido em suas condições perfeitas. “Às vezes não é nem tanto o armazenamento, mas o lote vem com defeito. Por exemplo, o restaurante recebe duas caixas de vinho que ficaram tomando sol no Aeroporto de Viracopos por três dias seguidos, esses vinhos estarão alterados”, diz.

– O sommelier pode recusar?

Eu quero devolver, mas o sommelier insiste que o vinho está em boas condições e que harmoniza com o prato que pedi no restaurante, o que fazer? Segundo o enólogo, são poucos os casos, mas eles existem: “aí vale o direito do consumidor. Existe um espectro de plausabilidade. Ou seja, o que é aceitável e o que é inaceitável”.

O sommelier, segundo Esper Chacur tentará te convencer a não recusar o vinho até a “zona limítrofe entre o bom e o ruim, que para você não estará bom, mas que para o sommelier será ainda palatável”. No entanto, ele ressalta que “a elegância manda que ele troque o vinho na hora”.

– Posso devolver um vinho caro?

Se o vinho que eu não gostei for muito caro, mesmo assim posso trocá-lo? De acordo com o enólogo, você pode trocar o vinho independente de seu valor, mas ele alerta que este deve ter sido indicado especificamente para você.

– O que acontece com as garrafas recusadas (e que já foram abertas)?

A boa notícia é que elas não vão para o ralo. Os vinhos são ótimos para preparo de alguns pratos e, se eles já estão abertos, não há motivos para não usá-los.