Pérola Negra supera dificuldades para contar a história da Vila Madalena

  • Por Jovem Pan
  • 06/02/2016 00h45
SP - CARNAVAL/SP/DESFILES/PÉROLA NEGRA - GERAL - Integrantes da escola de samba Pérola Negra durante primeiro dia de desfiles do grupo especial do Carnaval de São Paulo no Sambódromo do Anhembi, na região norte da capital paulista, na noite desta sexta-feira. 05/02/2016 - Foto: ALE VIANNA/ELEVEN/ESTADÃO CONTEÚDOA Pérola Negra usou o samba e a dança para contar a história da Vila Madalena

Um imprevisto atrasou o início do desfile da Pérola Negra, o primeiro da noite de Carnaval. A explosão de um transformador apagou um dos refletores do Sambódromo, e a organização resolveu esperar até o restabelecimento da iluminação. Assim, a apresentação começou da escola de Vila Madalena começou às 23h32, ao invés dos previstos 23h15.

Isso não atrapalhou, no entanto, o desfile, que homenageou justamente o bairro que é berço da Pérola. O samba “Do Canindé ao samba no pé, a Vila Madalena nos passos do balé” falou sobre o lugar onde “samba até quem já morreu”.

A comissão de frente representou o espírito da dança dos ventos, das águas e do próprio bairro. O primeiro trio-elétrico, pintado de azul e com dançarinas, representou as águas dos córregos da Vila Madalena, que teve seu passado destacado. A ala das baianas representou a dança da natureza, com flores, borboletas, peixes e outros integrantes da natureza.

O bonito desfile da escola foi prejudicado pelo segundo carro da escola, que teve problemas para manobrar e demorou para entrar na avenida e deixou um “buraco” na evolução. O carro representou as danças indígenas, com uma oca como ponto onde os índios dançam após a chegada dos jesuítas no Brasil.

No entanto, os portugueses não foram apenas vistos como “estrangeiros” no desfile da Pérola Negra. A ala dos “fandangos” homenageou os colonizadores, que ocuparam a região que viria a ser a Vila Madalena, por meio de sua dança tradicional.

Por falar em estrangeiro, a angolana Carmem Mouro foi a primeira rainha de bateria de fora do Brasil a desfilar no Carnaval de São Paulo. O Congo também foi um país de destaque no desfile, representando a dança afro-brasileira. Por outro lado, a vida noturna da Vila Madalena, obviamente, não ficou de fora. Um carro cheio de luzes foi a surpresa da Pérola Negra para representar a característica mais famosa do bairro atualmente.

Com 1h02 de desfile, a Pérola Negra chegou ao fim do Anhembi dentro do tempo limite, apesar dos problemas. No todo, ficou a mensagem da história da Vila Madalena, com uma apresentação cheia de cores e um samba “chiclete” e contagiante.

Do Canindé ao samba no pé. A Vila Madalena nos passos do balé

É na ginga da dança… que eu vou
Solta o corpo e balança… amor
Vem ver como é que é, samba na ponta do pé
Pérola Negra vem nos passos do balé 
É carnaval, a minha vila contagia
A joia rara te convida pra dançar
O som da mata ecoou em sinfonia
A revoada cortando o ar
Das águas, o bailar da sutileza
Celebrando a natureza
O índio cantou e dançou a noite inteira
Da fé rituais em louvor, ôô
Com cheiro de mato, o som da viola embalou
Negro firma o batuque na palma da mão
Vem no toque de Angola, levanta a poeira do chão
Fazendo festa pro seu rei coroar
“Semba” ioiô, samba iaiá!
E sanfoneiro puxa o fole bem ligeiro
Pra folia começar
Bate zabumba e pandeiro
Tem quadrilha no arraiá
Nas ruas o povo espalha alegria
A boemia encontra o seu “santo lar”
De portas abertas a cultura
Ritmando a mistura da arte popular
Olé, olé, olé, olá,
Faz mais um eu quero ver a galera delirar
E nesse embalo lá vou eu
Na Vila Madalena samba até quem já morreu.
Ao todo, foram 2.800 integrantes, divididos em 24 alas