Polêmica sobre nacionalidade de Gardel renasce em documentário uruguaio

  • Por Agencia EFE
  • 28/04/2014 14h38

Montevidéu, 28 abr (EFE).- A polêmica sobre a nacionalidade do mítico cantor de tango Carlos Gardel, que envolve argentinos, franceses e uruguaios, ressurge com o documentário “El padre de Gardel” (“O pai de Gardel”), que estreia nesta semana em Montevidéu.

O filme reivindica a figura do coronel Carlos Escayola, influente personalidade do Uruguai de metade do século XIX, ao que apresenta como suposto pai de Gardel.

A narrativa se baseia em uma pesquisa de sete anos, que reuniu a pouca documentação disponível sobre o militar e os testemunhos dos poucos parentes que foram ser entrevistados.

Estabelecido na cidade uruguaia de Tacuarembó, quase 400 quilômetros ao norte de Montevidéu, Escayola foi em meados do século XIX “o chefe político e o homem mais poderoso da região”, segundo explicou recentemente à Efe o cineasta uruguaio Ricardo Casas, diretor do documentário.

O coronel foi casado consecutivamente com três irmãs da família Oliva, chamadas Clara, Blanca e María Lelia, esta última sua afilhada.

Especula-se que, sendo ainda adolescente, Maria Lelia foi a mãe de Carlos Gardel, fruto de uma relação com Escayola quando ele ainda estava casado com sua irmã Blanca.

O documentário sustenta a tese uruguaia de que Gardel era de Tacuarembó, e que as nebulosas circunstâncias de seu nascimento o obrigaram a esconder suas origens.

A hipótese vem reforçada pelo testemunho do criminologista uruguaio Gonzalo Vázquez, que se apresenta como sobrinho bisneto do cantor de tango.

Em seu livro “De Carlos Escayola a Carlos Gardel”, Vázquez recorreu a depoimentos, fotografias, documentos e notas jornalísticas para confirmar a origem uruguaia do conhecido como “Zorzal Crioulo”, uma história que desde sua infância encorajava os relatos da família.

Outro livro, intitulado “Gardel, o morto que fala”, do professor uruguaio Eduardo Cuitiño, e publicado no ano passado, argumentou a mesma teoria, nesse caso usando a matemática e a probabilidade.

Frente a essas hipóteses, aparece a chamada “teoria francesista”, defendida pela Argentina, que situa o nascimento de Gardel na cidade francesa de Toulouse.

Em setembro de 2012, três pesquisadores anunciaram a descoberta de uma certidão de nascimento do cantor datada de 11 de dezembro de 1890 em Toulouse.

No entanto, em 1923, Gardel tramitou um passaporte uruguaio como nascido em Tacuarembó em 1887, um documento que depois usou para solicitar a nacionalidade argentina.

Por sua vez, uma pesquisa realizada na Argentina concluiu que Gardel teria encoberto sua verdadeira nacionalidade porque teria antecedentes criminais por fraudes.

Com a polêmica, alguns estudiosos pediram que fossem feitos exames genéticos aos restos do coronel Carlos Escayola, para determinar se existe ou não parentesco com Gardel, encerrando assim a discussão de maneira quase definitiva.

Seja qual for a verdade, o mito do imortal cantor de tango, morto em um acidente de avião em 1935 em Medellín (Colômbia), renasce a cada nova obra que procura lançar luz sobre sua disputada nacionalidade. EFE