Quais são as mulheres mais poderosas do momento? Em nossa opinião, essas

  • Por Elisa Feres/Jovem Pan
  • 08/03/2018 09h36
ReproduçãoElza Soares em apresentação de "A Mulher do Fim do Mundo"

Poucas vezes se discutiu tanto o empoderamento feminino. Especialmente no entretenimento. Em todo o mundo, incluindo no Brasil, cada vez mais as mulheres têm questionado as desigualdades em suas músicas, interpretado personagens fortes em seus filmes, denunciado casos de assédio em seus ambientes de trabalho e discursado sobre conceitos feministas em premiações. Pensando nisso, elaboramos aqui uma lista das 10 personalidades (5 brasileiras e 5 estrangeiras) que consideramos ser as mais poderosas do momento. Nesse 8 de março, convidamos a todos, homens e mulheres, a se inspirarem em seus exemplos – ou pelo menos a pensarem sobre as discussões que elas propõem.

Viola Davis

Viola Davis é uma certeza. Não importa o ano, não importa a época, ela sempre será digna de um espaço em uma lista como essa. Um espaço de destaque, diga-se de passagem. Isso pode ser constatado em 2015, quando ela entrou para a história ao se tornar a primeira mulher negra a vencer um Emmy na categoria de Melhor Atriz em drama – resultado de sua primorosa atuação no seriado How To Get Away With Murder. Na ocasião, emocionou a todos com um tocante discurso sobre representatividade.

“Na minha mente, eu vejo uma linha. E sobre essa linha que eu vejo campos verdes e flores lindas e belas mulheres brancas com seus braços esticados para fora sobre essa linha. Mas eu não consigo chegar lá, não sei porque. Eu não consigo superar essa linha. Harriet Tubman disse isso em 1800”, disse. “A única coisa que diferencia as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade”.

Emma Watson

Se você ainda pensa que Emma Watson é apenas a intérprete da bruxinha Hermione nos filmes da franquia Harry Potter, precisa se atualizar. Desde o início da sua juventude, a britânica tem se colocado à frente de movimentos feministas e liderado campanhas ao redor do planeta. Em 2014, por exemplo, discursou na ONU para lançar o projeto #HeForShe em prol da igualdade de gêneros. Em 2015, ouviu da ganhadora do Nobel Malala que foi ela quem a inspirou a pensar mais sobre as questões de equidade. Atualmente, encabeça o movimento Time’s Up contra o machismo em Hollywood.

Beyoncé

Não precisamos nem explicar porque Beyoncé está aqui. Basta assistir à apresentação da cantora no VMA de 2014, quando ela exibiu no telão trechos do famoso discurso “We Should All Be Feminist” da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie enquanto cantava o hit Flawless. Ou ao videoclipe de Formation, repleto de referências à cultura negra, aos protestos BlackLivesMatter e ao ícone Malcolm X. Ou ainda à apresentação de 2016 no Super Bowl, em que ela e as dançarinas foram vestidas como manifestantes Panteras Negras. Quem sabe também ao vídeo de Freedom gravado em homenagem ao Dia da Menina. Já deu para entender, né?

Karol Conká

“Presenciei tudo isso dentro da minha família / Mulher com o olho roxo espancada todo dia / Eu tinha uns 5 anos, mas já entendia / Que mulher apanha se não fizer comida / Mulher oprimida, sem voz, obediente / Quando eu crescer, eu vou ser diferente”.

E foi. Ou melhor, é. Karol Conká ganhou fama internacional ao se apresentar na abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro. Mas sua caminhada vem de bem antes. Sempre acostumada a quebrar paradigmas, ela começou sua carreira no rap na periferia de sua cidade natal, Curitiba, região que não tem grande tradição no gênero. Na verdade, no início de sua carreira, mulheres não tinham espaço no gênero em nenhum lugar do país. E quem disse que isso a incomodou? Com vídeos na internet e apresentações em casas noturnas, ganhou reconhecimento aos poucos até que começou a abrir os shows do maior grupo do país, os Racionais MC’s. Daí para frente todo mundo já conhece. Já que é para tombar…

MC Soffia

Lembra quem esteve ao lado de Karol Conká na abertura das Olimpíadas? Isso mesmo, a pequena MC Soffia, mais uma integrante da nossa lista. “Mas ela é apenas uma menina”, você pode estar pensando. Sim. É. E é isso que a torna tão grandiosa. Aos 14 anos de idade, a garota debate e canta sobre questões extremamente complexas da contemporaneidade, como o racismo e o machismo, sem deixar seu lado criança de lado. Em Menina Pretinha, por exemplo, ressalta as qualidades das meninas negras ao mesmo tempo em que nega a “adultização infantil” incentivando todas as crianças a brincarem.

“Vou me divertir enquanto sou pequena / Barbie é legal, mas eu prefiro a Makena africana / Como história de griô, sou negra e tenho orgulho da minha cor / O meu cabelo é chapado, sem precisar de chapinha / Canto rap por amor, essa é minha linha / Sou criança, sou negra / Também sou resistência / Racismo aqui não, se não gostou, paciência”.

Oprah

Apresentadora de um dos programas de maior audiência nos Estados Unidos, Oprah se tornou nos últimos anos uma das comunicadoras mais relevantes de todo o planeta. Em situação semelhante à de Viola, ela venceu um prêmio pelo conjunto da obra no Globo de Ouro 2018 – primeira mulher negra a receber a honraria. E também não decepcionou no discurso.

“Eu entrevistei e interpretei pessoas que passaram por algumas das coisas mais feias que a vida pode jogar em você, mas a qualidade única que todas elas parecem compartilhar é a habilidade de manter a esperança por uma manhã mais brilhante, mesmo durante nossas noites mais escuras”, disse. “Então eu quero que todas as garotas assistindo aqui, agora, saibam que um novo dia está no horizonte. E que quando este novo dia finalmente chegar será por causa de muitas mulheres magníficas e homens fenomenais que lutaram duro para ter certeza de que elas se tornem as líderes que nos levem a um tempo em que ninguém jamais tenha de dizer ‘Eu também’ novamente”, completou em referência ao movimento #MeToo contra o assédio sexual na indústria cinematográfica.

Liniker

Se você ainda não conhece, está na hora de conhecer. Vocalista do grupo Liniker e os Caramelows, Liniker é considerada uma das maiores revelações do R&B brasileiro dos últimos anos. Unindo elementos de black com soul e pop, ela ganhou destaque com vídeos na internet e em pouco tempo lançou o primeiro álbum de estúdio (Remonta, 2016), com o qual passou a se apresentar em grandes festivais por todo o país – e até mesmo fora dele. Integrou o line-up do Coala no ano passado, por exemplo, e no fim deste mês subirá ao palco do Lollapalooza. E ela não merece destaque somente pela sonoridade: reconhecendo-se como mulher trans, a artista-ativista costuma fazer discursos poderosos e encorajadores por onde passa.

Elza Soares

Elza Soares tem uma das biografias mais sofridas da história da música. Ela foi forçada a se casar ainda criança, com 12 anos de idade, teve seu primeiro filho aos 13 e ficou viúva aos 21. Passou por dificuldades financeiras, perdeu três dos sete filhos que geriu e se casou em seguida com Mané Garrincha, amado por sua atuação nos campos, mas violento dentro de casa. Provando que o empoderamento não tem idade, a cantora canalizou sua experiência pessoal na arte e lançou em 2015 o apoteótico A Mulher do Fim do Mundo, disco totalmente dedicado ao combate à violência doméstica.

“Cadê meu celular? / Eu vou ligar pro 180 / Vou entregar teu nome / E explicar meu endereço / Aqui você não entra mais / Eu digo que não te conheço / E jogo água fervendo / Se você se aventurar / Você vai se arrepender de levantar a mão pra mim”, canta na faixa Maria da Vila Matilde.

Paola Carosella

Foi-se o tempo em que a profissão de cozinheira era chamada de antiquada. Os tempos mudaram graças à onda de chefs-celebridades que invadiram os programas de televisão, entre elas a argentina mais querida do Brasil, Paola Carosella. À frente do reality Masterchef, ela já relatou situações machistas que teve que enfrentar em sua trajetória, já enfrentou comentários preconceituosos de seus colegas de bancada e também já se levantou em defesa de participantes mulheres. “Às vezes a gente tem que ouvir umas idiotices que eu vou te falar. Você não está aí por ser mulher, você está aí por ter um talento inacreditável”, disse a uma delas. Como dizem na internet, essa sim é um mulherão da p****!

Anitta

Sim, ela está aqui. E deixamos por último por que sabemos que seria controversa. Basta lembrarmos a imensa repercussão que o videoclipe de Vai Malandra teve na época de seu lançamento. Enquanto alguns rasgaram elogios ao empoderamento feminino mostrado pela popstar naquelas imagens, outros a criticaram por reproduzir uma suposta sexualização da mulher. E o que queremos deixar claro aqui é que você pode ter a opinião que quiser, mas um ponto precisa admitir: se tem uma coisa que ela sabe fazer é levantar uma discussão. E voltamos então ao que dissemos no início dessa matéria. Que tal usarmos esse 8 de março para debater o atual espaço da mulher no mundo? Será que todas são de fato livres para ser o que quiserem? O que podemos fazer para tornar nossa sociedade cada vez mais igualitária?