Brasil no Oscar: quantas vezes fomos indicados e histórico completo
Confira o histórico de indicações do cinema brasileiro na maior premiação do mundo, os filmes de destaque e as curiosidades sobre a busca pela estatueta
A relação do Brasil com a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas é marcada por grandes obras, talentos reconhecidos mundialmente e aquela persistente pergunta: “quantas vezes o Brasil foi indicado ao Oscar?”.
Embora o país nunca tenha vencido uma estatueta oficial em categorias competitivas até o momento, a presença brasileira na premiação é mais extensa do que muitos imaginam. Ao todo, considerando todas as categorias (técnicas, curtas, documentários e filmes principais), o Brasil soma mais de 20 indicações ao longo da história.
Na categoria mais cobiçada pelos países de língua não inglesa — Melhor Filme Internacional (antigo Melhor Filme Estrangeiro) —, o Brasil foi oficialmente indicado quatro vezes.
Indicações a Melhor Filme Internacional
Esta é a categoria que gera a maior expectativa no público. Para concorrer, o país precisa submeter um representante oficial, que passa por peneiras até chegar aos cinco finalistas. O Brasil esteve entre os cinco melhores do mundo em quatro ocasiões confirmadas:
- O Pagador de Promessas (1963): Dirigido por Anselmo Duarte, é até hoje o único filme brasileiro a vencer a Palma de Ouro em Cannes. Foi o pioneiro do Brasil no Oscar;
- O Quatrilho (1996): Dirigido por Fábio Barreto, o filme sobre a imigração italiana no Rio Grande do Sul surpreendeu ao garantir a vaga, disputando contra filmes de peso;
- O Que É Isso, Companheiro? (1998): Baseado no livro de Fernando Gabeira e dirigido por Bruno Barreto, o longa trouxe o thriller político da ditadura militar para os holofotes de Hollywood;
- Central do Brasil (1999): Talvez a derrota mais dolorida para os brasileiros. O filme de Walter Salles era o favorito do público e da crítica, mas perdeu para o italiano A Vida é Bela.
O fenômeno Cidade de Deus
Muitos se perguntam por que Cidade de Deus (2002) não está na lista acima. A resposta revela um dos recordes do Brasil na premiação.
O filme de Fernando Meirelles não foi indicado a Melhor Filme Internacional (ficou de fora da lista final na época). No entanto, devido à sua repercussão avassaladora nos Estados Unidos, a Academia o resgatou no ano seguinte (2004) para concorrer nas categorias principais, competindo de igual para igual com produções americanas.
Cidade de Deus detém o recorde de filme brasileiro com mais indicações em uma única cerimônia, concorrendo em quatro categorias:
- Melhor Direção (Fernando Meirelles);
- Melhor Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani);
- Melhor Edição (Daniel Rezende);
- Melhor Fotografia (César Charlone).
Fernanda Montenegro e a indicação histórica
Em 1999, Fernanda Montenegro fez história ao se tornar a primeira latino-americana (e única brasileira até hoje) indicada ao prêmio de Melhor Atriz.
Sua performance como Dora em Central do Brasil é considerada uma das maiores injustiças da Academia, tendo perdido a estatueta para Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado). A indicação consolidou o respeito internacional pela dramaturgia brasileira.
Presença em documentários e animação
Nos últimos anos, o cinema brasileiro tem demonstrado força nas categorias de não ficção e animação, acumulando indicações importantes:
Melhor Documentário
O Brasil mostrou a potência do seu cinema verdade com três indicações de grande repercussão:
- Lixo Extraordinário (2011): Coprodução com o Reino Unido sobre o trabalho de Vik Muniz;
- O Sal da Terra (2015): Sobre a vida e obra do fotógrafo Sebastião Salgado;
- Democracia em Vertigem (2020): Dirigido por Petra Costa, documentou o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Melhor Animação
- O Menino e o Mundo (2016): O filme de Alê Abreu, com seu traço artesanal e único, disputou a estatueta contra gigantes da Disney e Pixar, marcando a primeira vez que um longa brasileiro concorreu nesta categoria;
- Rio (2012): Embora seja uma produção americana (Blue Sky Studios), foi dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha e recebeu indicação a Melhor Canção Original.
Curiosidades e outros recordes
A primeira vez: A estreia do Brasil no Oscar foi musical. Em 1945, a música “Rio de Janeiro”, de Ary Barroso, concorreu a Melhor Canção Original pelo filme americano Brazil.
O caso Orfeu Negro: O clássico Orfeu Negro (1959) venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Porém, embora filmado no Brasil com atores brasileiros e baseado em peça de Vinicius de Moraes, o prêmio foi creditado à França, país que financiou a produção.
Coproduções: O diretor Hector Babenco (argentino naturalizado brasileiro) foi indicado a Melhor Direção por O Beijo da Mulher Aranha (1986). O filme rendeu o Oscar de Melhor Ator para William Hurt, sendo uma coprodução Brasil-EUA.
Onde assistir aos principais indicados
Para quem deseja conhecer o cinema brasileiro “padrão Oscar”, grande parte das obras está disponível no streaming:
- Central do Brasil: Globoplay / Apple TV (aluguel);
- Cidade de Deus: Netflix / Max / Globoplay;
- Democracia em Vertigem: Netflix;
- O Menino e o Mundo: Globoplay / Apple TV (aluguel);
- O Que É Isso, Companheiro?: Globoplay.
O legado do Brasil no Oscar vai muito além da ausência de vitórias. As indicações serviram para projetar a cultura nacional, abrir portas para diretores e atores em Hollywood e provar que a indústria cinematográfica brasileira possui qualidade técnica e artística para competir com as maiores do mundo. A cada ano, novas produções como Ainda Estou Aqui renovam a esperança de trazer a primeira estatueta dourada para casa.


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