Dadá Coelho: ‘O humor é um colete salva-vidas nesse momento que estamos vivendo’

Em entrevista à Jovem Pan, Dadá Coelho falou sobre ‘A Culpa é da Carlota’, atração do Comedy Central Brasil só com humoristas mulheres

  • Por Caio Menezes/Jovem Pan
  • 30/09/2019 17h38 - Atualizado em 30/09/2019 18h07
Divulgação/Comedy CentralBruna Louise, Dadá Coelho, Cris Wersom, Carol Zoccoli e Arianna Nutt estrelam 'A Culpa é da Carlota'

A humorista Dadá Coelho é uma das cinco integrantes de “A Culpa é da Carlota“, nova atração nacional do Comedy Central Brasil. O programa é no modelo de “A Culpa do Cabral”, produto já famoso do canal, mas com uma bancada composta exclusivamente por mulheres.

“Você não vai assistir a ‘A Culpa é da Carlota’ esperando ‘A Culpa é do Cabral’, a gente não ficou presa ao formato”, explicou Dadá, em entrevista à Jovem Pan, sobre o novo programa. “A gente conseguiu, de alguma forma, imprimir uma marca do humor das mulheres, da gente”, disse.

Além de Dadá Coelho, também participam do programa Cris Wersom, Arianna Nutt, Bruna Louise e Carol Zoccoli. O elenco já gravou os primeiros episódios no Teatro Gazeta, em São Paulo, mas ainda não há previsão de estreia. Neste sábado (28), elas se apresentaram juntas pela primeira vez no Comedy Central Fest, também na capital paulista.

“Rolou uma energia mágica onde nós gravamos”, disse Dadá. Os episódios foram gravados com a presença de público e sem espaço para erros. “É praticamente um teatro na TV, tem esse espaço para o improviso. Isso eu acho incrível”, comemorou.

Humor político

Apesar de já ter feito trabalhos na TV, a humorista contou que gostou do projeto do Comedy Central pelo fato de ser um programa só com mulheres. “Eu fui seduzida por essa ideia de ser o primeiro programa de humor da TV brasileira só com mulheres comediantes”, explicou.

Para ela, as mulheres ainda sofrem preconceito no humor. “Ele existe, não tem como. É muito arraigado, não tem como dizer que não existe”, lamentou. “Eu sou nordestina, mulher e humorista, praticamente tive que me provar sempre três vezes”, contou.

Dadá reconheceu que o preconceito já foi maior e disse que nomes como Ingrid Guimarães e Tatá Werneck foram responsáveis por abrir os caminhos para as mulheres no humor nos últimos anos. “Esse preconceito vai existir por muito tempo, mas é uma batalha diária, estamos na luta”, disse.

Mesmo assim, ela acredita que o humor está vivendo o seu melhor momento no Brasil. “O Bussunda, do ‘Casseta’, dizia que quanto pior o governante, melhor a piada”, brincou. “O humor é um colete salva-vidas nesse momento que estamos vivendo.”

Apesar de não fazer piadas com política no programa, Dadá Coelho defendeu que a comédia é uma forma de fazer críticas. “Não tem outro lugar melhor para você questionar, ironizar as coisas. No humor, nada é sagrado, tudo pode ser questionado e ironizado”, disse.

“Eu acho que tem que fazer mesmo [piada com política]. Por isso sou contra a ditadura, o humor tem sempre uma crítica social, não é só ‘ha ha ha’. O humor político tem que ser feito, não dá para não fazer”, continuou Dadá Coelho. “O problema é acompanhar os caras. eles estão querendo roubar nosso emprego de palhaço.”