É comum ter herpes? Entenda sobre o vírus que gerou assunto no ‘BBB 22’ por causa de Eliezer

Dermatologistas explicam o que é a doença, como ela é transmitida, quais são os sintomas, o que as feridas na boca podem indicar e quais são os tratamentos

  • Por William Amorim
  • 12/02/2022 10h00
Reprodução/Globo Eliezer beijou Natália e Maria no 'BBB 22' mesmo estando com herpes labial

Uma feridinha na boca de Eliezer levantou suspeita e Tadeu Schmidt confirmou que o participante do “BBB 22” foi diagnosticado com herpes labial. O brother, que já tinha se relacionado, inclusive sexualmente, com Maria, beijou Natália na festa da líder Jade Picon, que aconteceu na última quarta-feira, 9. O caso gerou curiosidade no público, e a Jovem Pan conversou com profissionais especializados para explicar melhor sobre essa doença. A primeira questão a se responder é: o que é herpes labial? A dermatologista Lívia Maria Camargo explicou que se trata de “uma infecção pelo vírus herpes simplex, que pode provocar o aparecimento de bolhas ou feridas nos lábios ou no interior da boca”. A doença é algo mais comum do que se imagina. Geisa Costa, dermatologia e idealizadora do Art Beauty Center, ressaltou que uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que 3,7 bilhões de pessoas com menos de 50 anos tenham infecção pelo vírus do herpes simples tipo 1 (HSV-1) em todo o mundo, o que representa 67% da população. 

O que deixou muitas pessoas intrigadas é como Eliezer pegou herpes se ele está confinado no “BBB 22”. Lívia disse que, por se tratar de um vírus comum, muitas pessoas têm o primeiro contato com ele ainda na infância. Ou seja, o brother já deve ter entrado na casa com o vírus: “Após o primeiro contato do indivíduo com o HSV-1, que pode ter ocorrido em qualquer momento de sua vida,  o vírus ficará latente nos gânglios sensoriais e é reativado quando ocorrem alterações imunológicas ou com a exposição solar”. A médica ressaltou que herpes não tem cura: “Uma vez infectado, o vírus fica na pessoa. Existe uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde que diz que 80% das pessoas que têm o vírus são assintomáticas. E quando o herpes surge, ele pode ser desencadeado por vários fatores. Nas mulheres, por exemplo, o período menstrual influencia no aparecimento da doença”. 

Como ocorre a transmissão? 

O herpes é um vírus altamente transmissível, pois pode ser passado de uma pessoa a outra pela saliva de quem está infectado ou tendo um contato direto com uma lesão, como feridas que costumam aparecer na boca. Eliezer, por exemplo, está com uma ferida visível no lábio e, de acordo com Bárbara Carneiro, dermatologia e membro da Associação Brasileira de Medicina Estética e da Sociedade Portuguesa de Medicina Estética, ele não deveria ter beijado Natália nem Maria no “BBB 22”. “Isso significa que a herpes está ativa, em fase aguda”, comentou a médica. Geisa acrescentou que, quando a ferida está na “fase vesicular, em que as bolinhas soltam o líquido com o vírus”, o risco de transmissão é maior do que quando já se criou aquela crosta que faz parte do processo de cicatrização. Mesmo nessa fase, há o risco de transmissão, pois essa casquinha que se forma no local pode quebrar quando a pessoa fala, sorri ou come. 

Eliezer e Natália se beijando no BBB 22

Depois de ficar com Maria, Eliezer beijou Natália durante uma festa – Fonte: Reprodução/Globo

Quais são os sintomas? 

Os sintomas mais comuns, segundo Lívia, são: parestesia (sensação de formigamento), ardência, sensibilidade local, formigamento, dor e/ou coceira na região onde surgem. As feridas na boca indicam que o vírus está em atividade. Geisa comentou que existem algumas etapas até a ferida aparecer na boca da pessoa com herpes. “Tudo pode começar com uma coceira no local ou vermelhidão, e isso pode durar uns dois dias. Enquanto isso, a vesícula vai surgindo, provocando ardência e secreção. Dores na região dos lábios também são comuns nessa fase, que pode durar até uns quatro dias. Depois começa a remissão, que é quando as crostas são formadas e se inicia o processo de cicatrização. Ou seja, o herpes pode durar cerca de uma semana.”

Eliezer no BBB 22

Eliezer está com uma ferida na boca – Fonte: Reprodução/Globo

Quais são os tipos de herpes? 

Existem dois tipos de herpes, o HSV1 e o HSV2. Bárbara explicou quais são as principais diferenças entre eles: 

  • HSV1: O herpes oral é o herpes simples tipo 1. Muitas pessoas têm contato com este vírus na infância, e ele é transmitido através da saliva da pessoa infectada;
  • HSV2: O herpes genital é o herpes tipo 2. Ele normalmente é transmitido via sexual, provoca coceira, bolhas, dor, ardor e feridas na parte genital.

Como funciona o tratamento?

Em muitos casos, o herpes labial não requer tratamentos específicos ou intervenção médica porque, de acordo com Lívia, “o próprio organismo do paciente consegue combater a infecção e colaborar para sua recuperação”. Alguns pacientes, no entanto, ficam incomodados quando o vírus reage e, neste caso, um médico dermatologista pode prescrever medicamentos antivirais. “São comprimidos ou pomadas que vão minimizar a multiplicação do vírus, os sintomas e a duração da doença”, comentou Geisa, que ressaltou que a equipe médica do “BBB 22” pode prescrever esses medicamentos a Eliezer, que deveria evitar evitando beijos na casa e também não deveria compartilhar itens como copos, talheres e toalhas com outros participantes do reality. 

Além da medicação, existe também um tratamento a laser de baixa potência feito por dentistas. “No procedimento, é aplicada uma anestesia no local, com pomada e medicação injetável. Em seguida, perfura-se as bolhas com uma agulha, adicionando um corante azul para marcar a área que será realizada a aplicação a laser. São feitas, em média, cerca de 5 aplicações a laser e, no final, o paciente observa um aspecto melhor da pele”, falou Patrícia Almeida, dentista especialista em reabilitação oral e estética e integrante da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD). A profissional disse ainda que “algumas vacinas estão sendo testadas para o tratamento e prevenção do herpes simples, mas nenhuma ainda se comprovou totalmente eficaz”.