Já teve empate no Oscar? Entenda como acontece e veja a lista completa
Sim, a premiação da Academia já registrou empates históricos em diversas categorias, embora seja um evento extremamente raro
Muitos fãs de cinema se perguntam se já teve empate no Oscar em categorias principais ou técnicas. A resposta é sim. Em mais de 90 anos de história, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas teve que entregar duas estatuetas para o mesmo prêmio em exatas seis ocasiões.
Apesar de ser estatisticamente improvável, dado o número de votantes (atualmente mais de 10 mil membros), a coincidência numérica pode ocorrer. Abaixo, explicamos como funciona a regra e detalhamos todos os casos, incluindo o famoso episódio entre Barbra Streisand e Katharine Hepburn.
Como funciona a regra do empate no Oscar
Para que um empate seja declarado oficialmente hoje, a contagem de votos deve ser exatamente igual. Não existe “voto de minerva” ou critério de desempate baseado em idade ou bilheteria. Se dois (ou mais) indicados receberem a mesma quantia de votos, ambos são declarados vencedores e recebem a estatueta.
Os auditores da PriceWaterhouseCoopers, responsáveis pela apuração, mantêm estatuetas extras nos bastidores justamente para essa eventualidade ou para casos em que os vencedores são grupos de produtores/roteiristas.
A antiga regra dos três votos
No início da premiação, a regra era diferente. Até o início da década de 1930, se a diferença entre o primeiro e o segundo colocado fosse inferior a três votos, a Academia considerava um empate técnico. Essa regra foi abolida posteriormente, exigindo igualdade absoluta para a duplicidade do prêmio.
Os empates mais famosos da história
Dentre as seis vezes que o evento ocorreu, duas se destacam por envolverem as categorias mais prestigiadas da noite: Melhor Ator e Melhor Atriz.
Barbra Streisand e Katharine Hepburn (1969)
O caso mais célebre aconteceu na cerimônia de 1969. A lendária atriz Ingrid Bergman abriu o envelope para a categoria de Melhor Atriz e se deparou com um empate exato de 3.030 votos para cada uma.
- Barbra Streisand venceu por sua estreia no cinema em Funny Girl: A Garota Genial.
- Katharine Hepburn venceu por O Leão no Inverno.
Hepburn não estava presente na cerimônia, então Streisand dominou o palco e fez seu famoso discurso, iniciando com “Hello, gorgeous!” (Olá, lindo!) para a estatueta.
Fredric March e Wallace Beery (1932)
Este foi o primeiro empate da história, ocorrido na categoria de Melhor Ator, mas sob a regra antiga.
- Fredric March (O Médico e o Monstro) teve um voto a mais que Wallace Beery (O Campeão).
- Como a diferença era menor que três votos, a regra da época determinou que ambos levassem o prêmio.
Lista completa: todas as vezes que houve empate no Oscar
Além dos casos citados acima, outras quatro categorias tiveram vencedores duplos. Veja a lista cronológica completa:
- 1932 – Melhor Ator: Fredric March e Wallace Beery.
- 1950 – Melhor Documentário de Curta-metragem: A Chance to Live e So Much for So Little.
- 1969 – Melhor Atriz: Katharine Hepburn e Barbra Streisand.
- 1987 – Melhor Documentário: Artie Shaw: Time Is All You’ve Got e Down and Out in America.
- 1995 – Melhor Curta-metragem em Live Action: Franz Kafka’s It’s a Wonderful Life e Trevor.
- 2013 – Melhor Edição de Som: A Hora Mais Escura (Paul N.J. Ottosson) e 007 – Operação Skyfall (Per Hallberg e Karen Baker Landers).
O empate mais recente: Skyfall e A Hora Mais Escura
O último registro de empate ocorreu na cerimônia de 2013. O ator Mark Wahlberg, ao apresentar a categoria de Melhor Edição de Som, abriu o envelope e pareceu confuso, anunciando: “Não é brincadeira, temos um empate”.
A vitória foi dividida entre o filme de ação de James Bond, 007 – Operação Skyfall, e o drama militar A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty). Este foi o primeiro empate técnico em uma categoria dessa natureza em décadas, provando que, mesmo com o sistema moderno de votação computadorizada e auditoria rigorosa, a probabilidade matemática de igualdade ainda existe.
Ainda que extremamente raros, esses momentos tornam-se parte do folclore de Hollywood, lembrando ao público e à indústria que cada voto da Academia realmente conta para definir o legado cinematográfico de um ano.
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