Júri começa a deliberar sobre caso de Harvey Weinstein

Harvey Weinstein é acusado de agressão sexual predatória, ato sexual criminoso em primeiro grau, estupro em primeiro grau e violação em terceiro grau

  • Por Jovem Pan
  • 18/02/2020 17h57
EFE/ Jason SzenesHarvey Weinstein é acusado de abuso e assédio sexual

O júri do caso de abuso sexual do produtor Harvey Weinstein se retirou para deliberar nesta terça-feira (18), após ter ouvido por uma hora as instruções do juiz James Burke, depois de um julgamento de seis semanas no Superior Tribunal do Estado de Nova York.

Burke descreveu as acusações aos jurados: duas de agressão sexual predatória, uma de ato sexual criminoso em primeiro grau, uma de estupro em primeiro grau e uma de violação em terceiro grau, dizendo que eles deveriam determinar se os procuradores provaram sem margem para dúvidas.

“Vocês e só vocês são os juízes e os únicos responsáveis por decidir se o réu é culpado ou não”, disse o juiz aos sete homens e cinco mulheres acusados de chegar, com base nas provas apresentadas, a um veredito sobre os cinco crimes sexuais dos quais Weinstein é acusado.

Vestido com um casaco cinza e camisa branca, Weinstein chegou à sala de audiências dez minutos antes do início da sessão, andando devagar e usando um novo andador com rodas. Ele não deu qualquer sinal de nervosismo e teve a companhia de uma equipe jurídica.

Na primeira fila, como em outras ocasiões, estava a advogada Gloria Allred, que representa três das seis supostas vítimas que testemunharam contra ele, incluindo uma das duas responsáveis por entrar com o processo, a assistente de produção Mimi Haley, que o acusou de sexo oral forçado em 2006.

Nos primeiros minutos, o foco foi uma coluna de opinião publicada no último domingo (16) pela advogada de Weinstein, Donna Rotunno, na revista Newsweek. Nela, a responsável pela defesa se dirige diretamente ao júri, que está proibido de investigar o caso na imprensa ou na internet, e lhes pede que façam “a coisa certa”: absolver o seu cliente.

Alegando que a ação violou as regras do tribunal e acusando Rotunno de “manipulação do júri”, a promotora Joan Illuzzi-Orbon pediu ao juiz que voltasse a prender o produtor. “Não há como Rotunno ter feito isso sem a permissão do réu”, denunciou.

Apesar do tumulto inicial, Burke limitou-se a ordenar Rotunno a se abster de falar em público sobre o caso, como fez no início do processo, quando o Ministério Público A censurou por uma entrevista na qual tentou minar a credibilidade das supostas vítimas.

Antes de o júri entrar para as instruções do veredito, a defesa de Weinstein também pediu que uma das juradas, uma mulher, fosse retirada porque tinham descoberto que ela estava lendo um livro sobre abuso infantil. Contudo, depois de interrogá-la, o juiz negou a moção.

*Com EFE