Jogo brasileiro, Dandara explora cultura do país com gameplay nostálgica

  • Por Adriano Sarafim/Jovem Pan
  • 06/02/2018 12h31
DivulgaçãoO jogo do estúdio brasileiro Long Hat House esta´disponível para consoles, PC e smartphones

O mercado brasileiro de jogos ainda dá os seus primeiros passos e estúdios independentes tentam encontrar um lugar ao sol na indústria. Nesta terça-feira (6), a Long Hat House, em parceria com a publisher Raw Fury, lançaram o jogo Dandara, que chega para todas as plataformas da nova geração.

Em conversa com a Jovem Pan, João Brant, desenvolvedor do game nacional, explicou que o primeiro trabalho do estúdio para consoles e PC buscou explorar o folclore do Brasil, inspirando-se nos desenvolvedores japoneses que sempre buscam inserir a sua cultura em suas produções.

“Sim, é inegável que existe uma riqueza muito não explorada aqui no Brasil com jogos. Não só em fatos e personagens históricos, mas na própria cultura e folclore. Sempre vimos jogos muito legais como por exemplo Okami e Persona 5, que usam do folclore e cultura japonesa respectivamente de uma forma muito legal, que além de ser muito diferente e chamar atenção, também nos ensina sobre uma outra realidade. O Brasil tem o potencial muito grande de trazer sensações muito similares”, opina.

Dandara se passa num mundo abstrato conhecido como Sal em que a gravidade só depende da vontade do indivíduo. A heroína será a responsável por acabar com a opressão que a Criação está sofrendo e colocar equilíbrio ao mundo.

De acordo com Brant, o jogo não tem uma história muito detalhada para que os jogadores interpretem por si mesmos os acontecimentos conforme o avanço no jogo.

“É importante deixar claro que Dandara não é um jogo cheio de diálogos, dirigido pela história. Não existe muito texto e muito do enredo do jogo está no background, sem interferir muito com o jogo. A principal motivação do jogo está na mecânica e na exploração, descobrir coisas novas e como enfrentar problemas”, explica.

O desenvolvedor conta que os cenários do game remetem a partes de Belo Horizonte e também de outras partes do Brasil. Brant diz que ao longo de Dandara, os jogadores irão refletir sobre tudo o que passaram e terão um sentimento único em seu final.

“A movimentação é tão diferente que você se sente que está aprendendo de novo a jogar videogame, bem do básico. E ao longo do jogo, você reflete sobre tudo aquilo que passou e sente muito claramente que está ficando com maestria em alguma coisa, que é um sentimento raro hoje em dia”, garante.

“O mundo do jogo também conta com algumas referências de Belo Horizonte e do Brasil, que para nós é uma coisa estranhamente familiar, e para os outros dá aquele ar de mistério. Tudo é bem necessário para a motivação do jogador num jogo de exploração”, completa.

“Ainda vai demorar para aparecer um jogo AAA no Brasil”

A Long Hat House é um pequeno estúdio de quatro pessoas e ainda é incerto quando empresas do gênero no Brasil terão suporte para criar games AAA (de grande orçamento). Com a falta de profissionais de alto calibre para ensinar em universidades e um certo descaso das pessoas em tratar games como cultura dificultam incentivos do governo nesse meio.

Brant acredita que chegará a época em que os jogos Triplo A serão realidade no Brasil, mas ainda vê esse sonho como algo distante, já que são necessários investimentos milionários, ainda mais num mercado que demonstra evoluções de performance a cada mês que passa.

“É uma questão de tempo até um jogo AAA pipocar por aqui. O nosso país é muito grande e podemos ver gente crescendo e aprendendo de todos os lados: já temos exemplos de empresas que estão conseguindo se consolidar como a Aquiris e a Behold. É um passo de cada vez e é sempre importante apoiar cada vitória da indústria! Mas não acho que seria muito em breve: para fazer um jogo AAA é necessário um investimento muito pesado que gira em torno de centenas de milhões de reais hoje em dia (e vai sempre crescendo quanto mais a audiência pede gráficos impressionantes e jogos maiores). Os nossos orçamentos tendem a crescer, mais ainda estamos longe dessa realidade”, finaliza.

Confira a entrevista completa:

Esse é o primeiro jogo que vocês lançam para consoles?

Sim! Antes, só fizemos o Magenta Arcade, um jogo para touchscreens. Somos recentes, temos só quatro anos de existência! Porém, fazer jogos de consoles sempre foi um objetivo nosso.

Como surgiu a ideia para criar Dandara?

Depois do Magenta Arcade, fizemos diversos pequenos experimentos e protótipos, uns que acabaram não dando certo, e outros melhores.

Nunca curtimos muito o fato de usar controles por cima da tela para “emular” um jogo de videogame no celular. Tínhamos uma certeza muito grande que existe um espaço não explorado para jogos de ação no smartphone. A origem da ideia foi usar o gesto de swipe e oferecer uma experiência de batalha legal nas telas de toque. Um dedo para a movimentação, e o outro para o ataque. Isso foi evoluindo, ganhou a parte de exploração, até chegar na mecânica que temos hoje no Dandara. Todo o resto, como história, arte e níveis foi sendo criado para servir esse núcleo da jogabilidade.

Você pode falar um pouco sobre o enredo do jogo?

O jogo se passa num mundo abstrato chamado Sal. Esse mundo tem várias peculiaridades, uma delas é que a gravidade só depende da vontade do indivíduo. Quando você começa um novo jogo, é o momento que a Dandara nasce! Rapidamente, a Dandara vê que o seu lado de origem, a Criação, está sofrendo de uma grave opressão. Cabe a ela tentar colocar equilíbrio nesse mundo. Não quero falar muito, prefiro deixar que o jogador descubra por si próprio. E até interprete.

É importante deixar claro que Dandara não é um jogo cheio de diálogos, dirigido pela história. Não existe muito texto e muito do enredo do jogo está no background, sem interferir muito com o jogo. A principal motivação do jogo está na mecânica e na exploração, descobrir coisas novas e como enfrentar problemas.

Dandara

O que faz de Dandara diferente de outros jogos do estilo metroidvania?

Com certeza, a movimentação. Ela é tão diferente que você se sente que está aprendendo de novo a jogar videogame, bem do básico. E ao longo do jogo, você reflete sobre tudo aquilo que passou e sente muito claramente que está ficando com maestria em alguma coisa, que é um sentimento raro hoje em dia.

O mundo do jogo também conta com algumas referências de Belo Horizonte e do Brasil, que para nós é uma coisa estranhamente familiar, e para os outros dá aquele ar de mistério. Tudo é bem necessário para a motivação do jogador num jogo de exploração.

Li que Dandara é inspirada numa heroína afro-brasileira. Você acha que há muita base para criação de jogos com fatos e personagens históricos do Brasil?

Sim, é inegável que existe uma riqueza muito não explorada aqui no Brasil com jogos! Não só em fatos e personagens históricos, mas na própria cultura e folclore! Sempre vimos jogos muito legais como por exemplo Okami e Persona 5, que usam do folclore e cultura japonesa respectivamente de uma forma muito legal, que além de ser muito diferente e chamar atenção, também nos ensina sobre uma outra realidade. O Brasil tem o potencial muito grande de trazer sensações muito similares.

Quais as dificuldades que estúdios do Brasil enfrentam para criar jogos? Você acredita que um dia teremos capacidade de ter um game AAA?

Aqui no Brasil infelizmente ainda temos que preencher o corpo docente de escolas e faculdades com pessoas com experiência na indústria de jogos. Além disso, falta um respeito e um carinho maior com jogos, tratá-los como cultura, o que atrairia programas de incentivo do governo, por exemplo. Porém, essas duas dificuldades estão diminuindo a cada dia, mas temos que fazer o que for preciso para acelerar esse processo.

Com certeza, é uma questão de tempo até um jogo AAA pipocar por aqui. O nosso país é muito grande e podemos ver gente crescendo e aprendendo de todos os lados: já temos exemplos de empresas que estão conseguindo se consolidar como a Aquiris e a Behold. É um passo de cada vez e é sempre importante apoiar cada vitória da indústria! Mas não acho que seria muito em breve: para fazer um jogo AAA é necessário um investimento muito pesado que gira em torno de centenas de milhões de reais hoje em dia (e vai sempre crescendo quanto mais a audiência pede gráficos impressionantes e jogos maiores). Os nossos orçamentos tendem a crescer, mais ainda estamos longe dessa realidade.

Para quais plataformas Dandara estará disponível?

Dandara estará disponível para todas as plataformas da geração: Nintendo Switch, XBOX ONE, PS4, iOS, Android e PC.