Almaty ou Pequim? COI arriscada elege sede para Jogos de Inverno de 2022

  • Por Agencia EFE
  • 30/07/2015 15h18

Antonio Broto.

Pequim, 29 jul (EFE).- A 128ª assembleia do Comitê Olímpico Internacional (COI) elegerá nesta quinta-feira em Kuala Lumpur (Malásia) qual será a sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, para a qual só há duas candidatas com dois projetos muito arriscados para a entidade: Pequim, a capital chinesa, e Almaty, cidade do Cazaquistão.

Dois países com pouca tradição nas Olimpíadas de inverno, ainda não aceitos completamente entre a comunidade internacional por seus problemas ambientais e relacionados a direitos humanos. Esse é o difícil dilema enfrentado pelo comitê, que certamente teria descartado ambas rapidamente em outras circunstâncias.

São as duas únicas opções que restaram ao COI, por culpa de uma duradoura crise que fez com que todas aspirantes do Ocidente, como Barcelona e Oslo, pouco a pouco fossem desistindo. A capital norueguesa desistiu em outubro do ano passado, quando era grande favorita.

A enorme despesa representada pelos Jogos Olímpicos de Inverno anteriores, em Sochi, no ano passado, unido ao fato de que o evento atrai menos espectadores que o ocorrido no verão, obrigaram o organismo a se refugiar novamente na Ásia. No momento, o continente é um dos grandes motores econômicos e fonte de financiamento para grandes eventos.

O Oriente está em alta com o COI, que designou a cidade sul-coreana de Pyeongchang para os Jogos de Inverno de 2018 e Tóquio para os de verão de 2020.

A um dia da grande eleição, muitos veem Pequim como ligeiramente favorita por sua maior influência no COI pela maior experiência em grandes eventos esportivos, como os Jogos de 2008 e o Mundial de Atletismo, marcado para o mês que vem.

Mas, acima de tudo, o grande atrativo para o comitê é a possibilidade de levar a competição de inverno, pouco conhecida em muitas regiões do mundo, a um país que lhe promete um público potencial de 300 milhões de pessoas.

Pequim pode ser a primeira cidade a sediar os dois principais eventos olímpicos. Munique e Estocolmo já tentaram, mas não tiveram sucesso. Para isso, apresenta um projeto no qual a cidade receberia as provas sobre gelo, enquanto as de neve seriam disputadas em montanhas ao norte da capital.

Os locais são afastados. O esqui nórdico, por exemplo, aconteceria em Zhangjiakou, a 250 quilômetros. Entretanto, a organização da candidatura garante que existirão trens de alta velocidade na região e que o trajeto poderá ser percorrido em menos de uma hora.

A comissão avaliadora do COI, que visitou Pequim em março, não gostou muito dessa dinâmica e se disse incomodada com o fato de esquiadores e patinadores não poderem conviver.

Outra das questões que não convencem o organismo é a alta dependência que haveria da neve artificial, devido à aridez do norte da China, e que poderia prejudicar a estética dos Jogos, com pistas brancas rodeadas de montes pedregosos, sem uma gota de neve.

De fato, Almaty, que perdeu sua condição de capital cazaque em 1997 para Astana, sabe que o ponto frágil da adversária é sua principal fortaleza. Pensando nisso, a candidatura da cidade chega a Kuala Lumpur com o slogan “Seja realista” e a ideia de que ela sim é apropriada aos esportes de inverno, com montes nevados e paisagens alpinas.

As estações de esqui de Almaty estão próximas ao centro da cidade, a cerca de 30 quilômetros, e não falta neve natural na fria Ásia Central. Dessa forma, a alternativa cazaque poderia ser a grande surpresa caso o COI prefira Jogos Olímpicos mais compactos e esteticamente mais bonitos.

O calcanhar de Aquiles de Almaty é a pouca infraestrutura hoteleira, afastado das rotas turísticas, e as dúvidas sobre o financiamento em um país que depende altamente do petróleo, cujos preços estão muito baixos.

Também não se deve esquecer a falta de história de um país relativamente jovem tanto nos Jogos Olímpicos de Inverno, em que obteve apenas um ouro em toda a história, como organização de eventos esportivos. O grande acontecimento local foram os Jogos Asiáticos de Inverno, em 2011.

Nos últimos meses, a imprensa internacional destacou os problemas de poluição das duas cidades, além dos registros desfavoráveis dos dois países direitos humanos. Contudo, ironicamente, esses graves problemas pesarão pouco na decisão do COI, porque são comuns a ambas as candidaturas. EFE