Antes do Audax, “goleiro-linha” já tinha “nível Ceni” com os pés

  • Por Jovem Pan
  • 04/05/2016 18h16

Goleiro do AudaxGoleiro do Audax

É inegável: a peculiaridade mais curiosa do encantador estilo de jogo do Audax é o fato de o goleiro resistir ao máximo à tentação de dar um chutão para se livrar da pressão de perder a bola a poucos metros do seu gol. Durante os jogos da equipe de Osasco, não é raro ver a bola chegando ao arqueiro, que, mesmo cercado por adversários e “marcado” pela linha da própria meta, sai jogando no chão, com um passe curto ou um lançamento mais longo, direcionado. 

Felipe Alves passou anos comandando a meta do Audax com este estilo. Ora exaltado por dribles desconcertantes e passes bem executados, ora crucificado por falhas bizarras, porém, deixou a titularidade em março, depois de sofrer uma lesão na costela durante jogo contra o Palmeiras. Sidão teve de assumiu o gol osassquense. E, claro, precisou manter a filosofia desenvolvida pelo técnico Fernando Diniz.  

Desde então, portanto, passou a mostrar que também sabe jogar com os pés. Mas ele é sincero: sempre teve esta aptidão. Em entrevista exclusiva a Felipe Motta para o Plantão de Domingo, da Rádio Jovem Pan, o goleiro titular do Audax na final contra o Santos, no próximo domingo, na Vila Belmiro, admitiu que, antes mesmo de chegar ao clube de Osasco, já tinha uma boa noção de como jogar com os pés. Nada, contudo, que o fizesse ter condições de atuar no exigente modelo de Fernando Diniz. 

“A noção que eu tinha era mais parecida com a do Rogério Ceni: os zagueiros podiam recuar a bolaque ele não ia se complicar. Teria um bom domínio e acharia um bom passe para recolocar a bola em jogo. Essa era a noção que eu tinha”, contou. “Mas, aqui, no Audax, é diferenteO goleiro participa como um jogador de linha, mesmo. Nós costumamos falar que jogamos com 11 contra dez quando a bola está nos nossos pés, e os adversários sentem isso“, acrescentou. 

Revelado pelo Corinthians no início do século, Sidão explicou que teve de trabalhar bastante para alcançar o nível atual. Ele até cometeu alguns erros em partidas decisivas do Campeonato Paulista, mas nenhum que tenha resultado em gols rivais. No geral, está se saindo bem. E, segundo ele, uma boa atuação do goleiro na saída de bola é fundamental para a filosofia do Audax fazer sucesso. 

“Esse é o método. Queremos mostrar que podemos jogar futebol em qualquer parte do campo. Dentro das quatro linhas, não tem por que ficar com medo de praticar um bom futebol, tanto na defesa quanto no ataque“, afirmou, antes de ressaltar o quão importante seria para o clube de Osasco faturar o título estadual: para coroar essa campanha, nada melhor do que ser campeão… Até para a gente provar que o futebol brasileiro precisa, de fato, de uma evolução, como todos comentaram após a Copa do Mundo“.