As armas, as promessas e os perigos que a Seleção terá nas Eliminatórias “mais difíceis da história”

  • Por Jovem Pan
  • 06/10/2015 18h15
Montagem sobre Folhapress/EFE/Rafael Ribeiro-CBF Adversários fortes

As Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, começam nesta quinta-feira (8) com a fama de serem as mais difíceis da história. Essa alcunha se deve ao fato de haver diversos times considerados de alto nível, como Chile, campeão da Copa América de 2015, Argentina e Colômbia, ou pelo menos competitivos, como Uruguai, Peru e Equador.

Junte a isso fato de a Seleção Brasileira passar pelo momento de maior desconfiança de sua história, vinda de duas eliminações (uma delas o 7 a 1), e teremos a fórmula para um torneio imprevisível. Mas, mesmo com toda essa imprevisibilidade, o Jovem Pan Online ouviu ex-jogadores e comentaristas para fazer um roteiro do caminho do Brasil rumo a mais uma Copa do Mundo.

Uma base sólida: o trunfo do Brasil para o início da jornada

O time de Dunga é diferente daquele de Felipão que levou 7 a 1 da Alemanha. O setor defensivo e a disciplina tática, por exemplo, são vistos como melhores atualmente. No entanto, para Mauro Beting, comentarista da Rádio Jovem Pan, não vai muito além disso. “O Brasil não muda há muito tempo, e é natural que seja assim no futebol e na vida. O Dunga tem se apoiado num 4-2-3-1, embora sem ter mais um jogador de referência na área como tentou ser, e não foi, na Copa do Mundo, o Fred. Esse ‘nove’ mais liberado pode ser o Neymar”, disse o jornalista.

 

Já para Bruno Prado, também da Jovem Pan, o ponto positivo do trabalho de Dunga é justamente ter criado a base de um time. “Ele tem uma base, isso é claro, e ao mesmo tempo traz um Kaká, o Ricardo Oliveira, o Robinho. São jogadores que dentro do normal não estarão na Seleção até 2018, mas que nesse momento podem ajudar. A base está ali, a gente consegue falar qual é o time titular da Seleção, mesmo com uma ou outra mudança”.

Os “bichos-papões” e as pedras no caminho da Seleção

O principal motivo de a atual edição das Eliminatórias da América do Sul ser apontada como a mais difícil da história é a quantidade de jogadores de qualidade, que brilham nos gramados da Europa, defendendo diversos países. “Coloco Chile e Argentina acima do Brasil hoje. Acho que são times melhores, que estão em um estágio de trabalho mais avançado, e acho que o Brasil não é muito superior a outras seleções como a Colômbia, o próprio Uruguai. O Equador em Quito também é muito forte”, opinou Bruno Prado.

Em questão de qualidade no papel, nenhuma seleção sul-americana supera a Argentina. Quase todo o seu time titular joga em times de ponta da Europa: Otamendi, Zabaleta, Rojo, Mascherano, Agüero, Di Maria, Lavezzi e, é claro, Lionel Messi, além de Tevez, do Boca Juniors. O Uruguai, por sua vez, tem no setor ofensivo Suárez e Cavani, astros de Barcelona e PSG, respectivamente. Por fim, o Peru, mesmo não tendo um elenco badalado, já mostrou ter uma equipe competitiva, treinada por Ricardo Gareca, e terminou a Copa América na terceira posição pela segunda vez seguida.

Além disso, para aumentar a dificuldade, o Brasil começa as Eliminatórias sem contar com Neymar nos dois primeiros jogos, ainda devido à suspensão pela confusão na Copa América. Sem seu principal craque, o time de Dunga pegará o Chile em Santiago e a Venezuela em casa provavelmente com Douglas Costa jogando pelo lado esquerdo do ataque. Em caso de resultados negativos (uma derrota e um empate, por exemplo), a Seleção já poderá ficar para trás na tabela de classificação.

Vencer, vencer, vencer, a maior preocupação

A preocupação mais óbvia é vencer os adversários, somar pontos e conseguir com tranquilidade uma vaga para a Copa do Mundo. “(É preciso) Jogar sério jogo a jogo e tentar se classificar o quanto antes e para ir se preparando (para a Copa). A gente pega o exemplo do penta: o Brasil fez tudo errado, teve quatro treinadores durante as Eliminatórias, 104 jogadores convocados, mais ou menos o mesmo ambiente horroroso da CBF, e no final de tudo certo. Mas não é porque a gente fez tudo errado e deu certo que temos de continuar fazendo tudo errado”, disse Mauro Beting.

No entanto, mesmo que esse objetivo seja alcançado, talvez não seja o bastante. Para Bruno Prado, o Brasil “tem que ter um time, montar uma equipe nesse caminho”. Além disso, como é sempre exigido da Seleção Brasileira, é preciso jogar bem e vencer de modo convincente – coisa que não tem acontecido com tanta frequência nos últimos jogos. Com um futebol melhor, a Seleção pode reconquistar sua torcida, já que nas Eliminatórias terá a chance de jogar em seu país em nove oportunidades. A primeira delas será no dia 13, na segunda rodada, diante da Venezuela no Castelão, em Fortaleza.

Um clima de união com os torcedores também facilitaria o cumprimento de outra tarefa: dar experiência a promessas do futebol brasileiro que podem ser úteis (ou até fundamentais) na Copa do Mundo, como Gabriel, do Santos, e Gabriel Jesus, do Palmeiras. “A Eliminatória é muito longa, acaba só no fim de 2017. Esses dois nomes são muito bons. Gabriel do Santos está até um pouco acima porque é mais velho, tem mais de 40 gols na carreira. O Gabriel Jesus é um menino de potencial enorme”, analisa Bruno Prado. O repórter Wanderley Nogueira, por outro lado, discorda. “Não acredito nesse surgimento durante as Eliminatórias. Não é hora de ‘revelar’. É hora de classificar”.

Quem pode fazer a diferença

Com um time base definido, a Seleção tem alguns jogadores que podem fazer a diferença nos momentos decisivos. O primeiro deles, obviamente, é Neymar, que estará fora dos dois primeiros jogos das Eliminatórias. Para a mesma posição, Dunga conta com o habilidoso Douglas Costa, que vive boa fase no Bayern de Munique. Do outro lado, o direito do campo, Willian deve manter a titularidade, especialmente com suas atuações de destaque no começo da temporada pelo Chelsea.

“O desenho do time por ora tem Willian, Oscar e Douglas Costa, o Neymar solto na frente quando puder jogar. Talvez o que pode mudar um pouco são os volantes, ter jogadores mais qualificados como um Elias, gente mais rodada como Luiz Gustavo, que não é um brucutu, é um ótimo jogador, muito inteligente taticamente, e o Fernandinho, que é bom jogador, a despeito do 7 a 1. Mas talvez não com Luiz Gustavo e Fernandinho juntos. Vejo o Dunga com cabeça aberta para mudar a Seleção”, analisa Mauro Beting. A defesa, um dos setores mais fortes da equipe, parece estar “fechada” com Miranda e David Luiz no miolo de zaga, Danilo na lateral-direita e Filipe Luís na esquerda.

A pergunta que não quer calar: existe alguma chance real de o Brasil não ir pra Copa?

A opinião de que a Eliminatória vai ser muito disputada é unânime. No entanto, poucos acreditam que o Brasil fique de fora da Copa do Mundo pela primeira vez em 2018. “É uma das mais difíceis, este ano vai ser ainda mais difícil porque tem grandes times, grandes seleções. Mas o Brasil classifica, vai fazer uma grande eliminatória e uma grande Copa do Mundo. A Seleção Brasileira vai sofrer muito nas eliminatórias, mas entrou em campo, esquece. É 11 contra 11”, disse o ex-lateral-direito Cafu em entrevista no programa Pânico, da Jovem Pan.

Wanderley Nogueira faz uma análise parecida. “A Seleção tem provocado ‘grandes emoções’ nos últimos anos. Atualmente é melhor acreditar que tem que jogar muito para se classificar”. Mauro Beting concorda. “Com ‘quatro vagas e meia’ (quatro vagas diretas e uma por repescagem), acho que o Brasil chega. Não sei se chega tão bem quanto o Dunga da primeira vez, que foi até surpreendente, com o primeiro lugar com rodadas de antecipação, mas classifica, apertado, vai ser apertado desde o primeiro jogo”, afirmou.

Para Bruno Prado, o importante é manter a tranquilidade mesmo diante das prováveis derrotas da Seleção. “Temos de ter essa consciência de que é difícil e que não dá para querer mudar tudo a cada derrota. Tem de deixar seguir um trabalho. Nos quatro primeiros jogos, em 2015, Chile e Argentina fora e Venezuela e Peru em casa, a missão é fazer seis pontos; mais do que isso é bom, é lucro”, previu.