Armstrong se aproxima do Tour, e o Tour foge de Armstrong

  • Por Agencia EFE
  • 16/07/2015 16h05

Plateau de Beille (França), 16 jul (EFE).- O ex-ciclista Lance Armstrong, que venceu o Tour de France sete vezes, mas teve os títulos cassados devido a um escândalo de doping do qual admitiu ter participado, vem causando polêmica ao redor da prova ao se aproximar dela através de uma ação beneficente.

Cinco anos após ter participado do Tour pela última vez, o ex-atleta de 43 anos, vem participando de um evento beneficente na França pela luta contra a leucemia. Sob o slogan “Um Dia à Frente”, ele e outras 11 pessoas, nove homens e duas mulheres, vem pedalando no trajeto da mais tradicional competição de ciclismo do mundo.

O americano já gravou sua presença nesta edição da prova através do Twitter após a primeira etapa de alta montanha, na última terça-feira, ao comentar a atuação do dono da camisa amarela de líder, o britânico Chris Froome, e de sua equipe, a Sky.

“Froome, (Richie) Porte e a Sky estão muito fortes. Para ser honesto, fortes demais”. Não me perguntem por quê”, disse o ex-ciclista, cujo nome foi retirado do histórico do Tour por doping.

Com a repercussão negativa do tweet, Armstrong tentou se retratar e garantiu que o questionamento era sincero e que em momento algum quis acusá-los. “Não tenho credibilidade para dar minha opinião a respeito”, afirmou.

A “entrada” do texano no Tour não agrada à organização da prova, que foge da imagem do ex-atleta, nem aos competidores que agora lutam pela camisa amarela. Froome, por exemplo, leva em consideração o gesto contra a leucemia, mas não considera que a iniciativa representa o retorno do americano ao evento.

“Sua presença não significa que tenha voltado ao Tour. Participa de um ato beneficente para ajudar a luta contra a leucemia. Essa iniciativa me parece interessante porque minha mãe morreu dessa doença. Espero que consigam a maior quantidade de dinheiro possível. Mas Armstrong não estará na largada”, resumiu o britânico.

Longe dos gloriosos e fantasiosos anos, Armstrong continua se sentindo atraído pelo Tour. Não pensou desta vez para aceitar o convite do ex-jogador de futebol inglês Geoff Thomas para fazer parte do “Um Dia à Frente”.

O diretor da prova, Christian Prudhomme, fez questão de distanciar o ex-atleta e a corrida ao dizer que a presença do texano se tratava de uma iniciativa “à margem do Tour, para um fim pessoal”.

Outros dirigentes, como o diretor do Europcar, Jean-René Bernaudeau, disse se sentir indignado pela presença indireta de Armstrong, que volta, segundo ele, “ao local do crime”.

Mais contundente ainda foi o presidente da União Ciclística Internacional (UCI), Brian Cookson, em março, quando foi informado sobre a iniciativa que envolvia o americano.

“É uma falta de respeito para com o Tour, os atletas, a UCI e todas as pessoas que lutam contra o doping. Acho que Armstrong deveria encontrar outro meio diferente para conseguir fundos para seu projeto”, disse.

Thomas, por outro lado, demonstrou um ponto de vista completamente diferente. “Minha abordagem é simples: se seu envolvimento pode ajudar a arrecadar fundos, trata-se de uma contribuição positiva”, declarou.

Nesta quinta-feira, Armstrong pedalou entre Lannemezan e Plateau de Beille, e amanhã irá de Muret a Rodez. Perto do Tour fisicamente, mas longe na lembrança. EFE