Assim como em 2002, Diego encara o Corinthians na briga pelo título brasileiro. O que mudou?

  • Por Jovem Pan
  • 22/10/2016 20h15
Diego venceu todos os jogos que disputou com a camisa do Flamengo no Brasileirão

Quatorze anos se passaram desde quando a geração dos “meninos da Vila” encantou o País e conquistou o título do Campeonato Brasileiro de 2002. Se as pedaladas de Robinho marcaram a vitória santista contra o Corinthians na final, o “garçom” Diego – mesmo de fora da decisão por lesão – foi o destaque de toda a competição, conduzindo o clube à conquista histórica com apenas 17 anos.

O Santos da dupla Diego e Robinho ainda disputou duas Libertadores (sendo vice em 2003) e foi novamente campeão brasileiro em 2004, e os dois jovens jogadores começaram a traçar suas carreiras na Seleção Brasileira e no exterior. Robinho foi à Europa e voltou ao Santos algumas vezes. Já Diego colecionou passagens pelo futebol português, alemão, italiano, espanhol e turco. Retornou ao Brasil somente este ano, e não para o clube que o revelou para o mundo. O escolhido foi o Flamengo.

Assim como em 2002, Diego Ribas ganha novamente os holofotes do futebol brasileiro. Com mais bagagem e responsabilidade, o meia aparece como líder de um Flamengo que briga ponto a ponto pelo título brasileiro com o Palmeiras e, neste domingo, reencontra o mesmo Corinthians que o permitiu carimbar seu passaporte como um dos grandes jogadores do Brasil.

Habilidade + Experiência

Quando foi campeão brasileiro em 2002, o jovem de 17 anos tinha apenas um ano como profissional e teve todo o ano para amadurecer sua parceria com Robinho. Hoje, o tempo de adaptação poderia uma dificuldade, mas a experiência falou mais alto, e Diego já caiu nas graças da torcida flamenguista. Logo na estreia, em agosto, o meia já balançou as redes, e desde então marcou mais dois gols e dou duas assistências nos onze jogos em que atuou.

O comentarista Jovem Pan Bruno Prado acredita que a vinda de Diego foi essencial para o rubro-negro disputar o campeonato: “ele é um diferencial. Talvez se ele não tivesse aí o Flamengo não conseguisse brigar pelo título esse ano”.

Esses doze anos na Europa foram importantes para Diego aperfeiçoar sua noção de espaço, essencial para deixar o centroavante na cara do gol. Bruno Prado avalia que este conhecimento torna Diego um dos melhores meias em atividade no Brasil.

“Na Europa normalmente você tem mais noção de espaço, mais noção de posicionamento, de tomar a decisão correta. O Diego sempre teve muita qualidade técnica, mas agora com muito mais noção de espaço, noção de campo, do que fazer para deixar a jogada melhor. Claro que fisicamente ele não é o mesmo menino de 14 anos atrás, mas ainda é um jogador que está muito bem e é um cara que no Brasil faz uma diferença enorme”, afirmou o comentarista.

O reencontro

O Corinthians não está numa situação tão confortável quanto em 2002. Se naquele ano o Corinthians brigava pelo título, desta vez tenta se recuperar para alcançar uma vaga para a Libertadores de 2017. Uma vitória, além de colocar o time paulista no G6, prejudica o Flamengo na luta pelo topo da tabela.

Desde a saída de Tite e de vários jogadores, o Corinthians oscila no campeonato, mas encontrou no aumento de vagas para a Libertadores uma chance de salvar o ano. Já o Flamengo vive os louros de uma gestão bem organizada, com contratações pontuais como a de Diego, que une a habilidade que o consagrou com experiência que adquiriu na Europa.

Apesar de o Corinthians não precisar se preocupar com um Robinho capaz de pedalar na frente dos seus zagueiros, o time de Oswaldo de Oliveira deve estar preparado para encarar um Diego muito mais eficaz na função de deixar os atacantes na cara do gol.

“Ele é um cara que joga atrás do centroavante. O Flamengo tem dois pontas, dois jogadores que jogam abertos, normalmente o Gabriel e o Everton, e o Diego joga bem solto. Ele joga sempre perto do Guerrero, do Mancuello ou do Vizeu quando o time está com a bola. Mesmo jogando muito pelos lados, com William Arão infiltrando, ele tem uma opção melhor de passe com o Diego ali, é melhor para centroavante jogar com ele”, diz Bruno Prado.