Berezovsky cogitou suicídio após perder batalha jurídica para Abramovich

  • Por Agencia EFE
  • 26/03/2014 13h43

Londres, 26 mar (EFE).- O magnata russo Boris Berezovsky, que foi encontrado morto no Reino Unido em 2013, estava “deprimido” e falou “abertamente” em se suicidar após perder uma batalha jurídica multimilionária para o compatriota e também empresário Roman Abramovich, disse nesta quarta-feira Avi Navama, homem que durante mais de seis anos foi seu segurança.

Navam prestou depoimento hoje no início de uma investigação legista de dois dias sobre as circunstâncias da morte de Berezovsky, cujo corpo foi achado no banheiro de sua luxuosa casa em Ascot, nos arredores de Londres, em 23 de março do ano passado.

No Reino Unido são realizadas investigações por juízes legistas nos casos de morte violenta ou repentina. Navama, que encontrou o corpo de seu chefe, afirmou que Berezovsky estava com ânimo “muito baixo” e tinha se transformado em um “homem destroçado” após perder em 2012 nos tribunais britânicos um litígio legal multimilionário com Abramovich.

Crítico ferrenho do presidente da Rússia, Vladimir Putin, Berezovsky, conhecido no Brasil como suposto financiador da parceria MSI/Corinthians na década de 2000, recorreu à justiça por considerar que Abramovich, dono do Chelsea, o intimidou para que vendesse suas ações na companhia petrolífera russa Sibneft por uma “fração” de seu valor real.

No entanto, estas acusações foram rechaçadas por um tribunal superior de Londres.

Segundo o segurança, que garantiu tê-lo visto à noite, antes da morte do magnata, Berezovsky o olhou “com olhos cansados, como se não soubesse o que fazer”. E mais cedo, após pegar o filho mais novo do empresário no colégio, Navama recebeu uma mensagem SMS de agradecimento do patrão, o que considerou incomum.

O guarda-costas afirmou que ligou para os serviços de emergência por volta das 15h do dia 23 de março do ano passado após não obter resposta de Berezovsky por telefone o dia todo.

“Eu passava mais tempo com ele do que com minha mulher e o considerava parte da minha família”, contou Navama, a quem Berezovsky uma vez perguntou se “deveria pular (de um prédio) ou cortar os pulsos”, o que lhe gerou “uma má sensação de que poderia se suicidar”.

Segundo ele, em uma ocasião o magnata falou “franca e abertamente” sobre cometer suicídio, enquanto segurava uma faca. No entanto, este episódio foi negado pela ex-esposa do magnata, Galina Besharova, que alegou que conversava com Berezovsky “quase todos os dias” e que ele “não planejava se suicidar”.

A situação do magnata se agravou durante uma viagem a Israel na qual Berezovsky “estava pálido e tremendo, parecia destroçado”, tomava “antidepressivos muito fortes” e sofria “ataques de pânico e palpitações cardíacas”, lembrou.

“Ele me disse que estava com dívidas de 200 milhões de libras e que não era mais um bilionário, mas o homem mais pobre do mundo”, disse Navama, que também alegou não ter motivos para acreditar que alguém assassinou o empresário.

Um dos médicos que socorreu o magnata, John Pocock, afirmou que o corpo apresentava um tom “púrpura profundo”, diferente da “palidez” habitual dos mortos, e que foram encontrados elementos típicos de uma tentativa de suicídio.

Matemático na era soviética e amigo da família do ex-presidente russo Boris Yeltsin, o magnata, que tinha 67 anos quando morreu, iniciou sua carreira empresarial com uma concessionária de automóveis, mas, com a chegada de Putin ao poder, fugiu para vários países até se estabelecer em 2000 no Reino Unido. EFE