Blatter foi diretor de empresa “fantasma” da Fifa em Dublin, segundo jornal

  • Por Agencia EFE
  • 04/06/2015 09h06

O presidente da Fifa EFE Joseph Blatter

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, integrou a diretoria de uma empresa fundada na Irlanda em 2001 para se beneficiar de vantagens fiscais e transferir milhões de euros à sede principal da organização, na Suíça, segundo informou nesta quinta-feira o jornal “Irish Independent”.

A reportagem aponta que Blatter esteve durante sete anos na lista de diretores da empresa “FIFA Ireland Ltd”, que foi dissolvida “voluntariamente” em 2008.

O jornal ressaltou que, durante esse período, a empresa ocupou escritórios no centro financeiro de Dublin e que nunca teve funcionários “diretamente empregados” pela “FIFA Ireland Ltd”.

Uma análise de resultados encomendada pelo “Irish Independent” a uma empresa de especialistas revelou que a “FIFA Ireland Ltd” gerou um “volume de negócio combinado” de 172,7 milhões de francos suíços (R$ 400 milhões) desde setembro de 2001 até dezembro de 2006.

“A empresa irlandesa transferiu um total de 171 milhões de francos suíços à Fifa durante esse mesmo período”, afirmou a reportagem.

Embora o valor “se situe em dezenas de milhões de francos”, o imposto deste país, um dos mais baixos da Europa, permitiu que a fatura da “FIFA Ireland Ltd” durante esse período fosse “de apenas 291.355 francos suíços (R$ 671 mil)”.

Em comunicado enviado ao “Irish Independent”, a Fifa explicou que essa empresa foi criada para facilitar a assinatura de acordos de concessão de licenças com seus parceiros comerciais japoneses, “em particular, em relação a à Copa do Mundo realizada em 2002 no Japão e na Coreia do Sul”.

“O acordo sobre dupla tributação assinado entre Irlanda e Japão oferecia melhor proteção que o antigo acordo de dupla tributação existente entre Japão e Suíça”, explicou a Fifa na nota.

De acordo com a entidade, essas manobras econômicas “são normais, já que de outra maneira se acabaria pagando impostos duas vezes sobre a mesma renda”, e lembrou que “esta estrutura cumpria / completava totalmente com as leis e regulações em vigor”.