Brasil atropela Itália e volta a conquistar a medalha de ouro no vôlei masculino

  • Por Estadão Conteúdos
  • 21/08/2016 15h09
Brasileiros comemoram a conquista do tricampeonato olímpico no Maracanãzinho

Ouro, duas pratas, mais um ouro. A sequência impressionante de quatro finais olímpicas do vôlei masculino acabou coroada neste domingo, nos Jogos do Rio de Janeiro, do mesmo jeito como começou. Assim como em 2004, uma vitória sobre a Itália na decisão valeu o título, o terceiro da história. Mas ao contrário das duas ocasiões anteriores, veio em casa, com Maracanãzinho lotado em êxtase para conduzir a equipe a vencer por 3 sets a 0, com parciais de 25/22, 28/26 e 26/24, e repetir as façanhas de Barcelona, em 1992, e de Atenas, há 12 anos.

Os vices em 2008, para os Estados Unidos, e 2012, para a Rússia, fizeram o público cantar mais forte “o campeão voltou” nos instantes finais. Mais do que enfatizar o retorno do ouro ao peito dos brasileiros, significa exaltar o poderio verde-e-amarelo na modalidade. O Brasil acumulou a décima medalha olímpica de vôlei na história, a quinta de ouro. Somente União Soviética e Rússia juntas, com 19 medalhas, foram mais premiadas.

A torcida teve a presença de Neymar. No dia seguinte à conquista inédita do ouro olímpico o atacante do Barcelona se sentou na primeira fileira do Maracanãzinho e ao aparecer no telão do ginásio, teve o nome gritado pela animada plateia. A euforia pela final atingiu o ápice da comoção, com o grande número de bandeiras, as comemorações a cada ponto e a coreografia ritmada pelas músicas escolhidas pelo DJ do ginásio.

Junto com o auge da animação da torcida ao longo de oito jogos, a seleção atingiu o topo das suas atuações. Antes quase eliminada na fase de grupos, avançou em quarto lugar da chave para apresentar na decisão o melhor do repertório. Força no saque como nunca antes havia se visto, tranquilidade nos momentos de pressão e a defesa para anular o temido ataque italiano.

O Brasil chegou ao recorde de quatro finais seguidas no vôlei diante da adversária com quem iniciou a série de decisões. A Itália tinha para a disputa ingredientes a mais do que somente o ouro para se motivar. Valia o título inédito para um país potência no modalidade e disposto a vingar a derrota em Atenas, em 2004. A equipe confiava no retrospecto de ter vencido o rival na primeira fase e apostava em Zaytsev, o segundo maior pontuador do torneio, atrás só de Wallace.

O italiano, filho de ex-jogador russo campeão olímpico em 1980, não ameaçou tanto no primeiro set, fechado em 25 a 22 em um erro de saque dele. O Brasil começou atrás e engrenou após vencer disputado rali para igualar em 12 a 12. A força do saque foi decisiva para desequilibrar o início da final. Só no primeiro set foram cinco aces brasileiros, dois deles de Lucarelli. Na semifinal contra a Rússia, por exemplo, foram dois pontos nesse fundamento durante todo o jogo.

O saque continuou forte no segundo set, importante para responder ao ataque italiano. Zaytsev passou a dar mais trabalho, junto com Juantorena. Os dois concentravam mais da metade dos pontos e ao fazer o time equilibrar a partida, criou no ginásio o temor da repetição do confronto anterior, pela primeira fase, a vitória da Itália de virada por 3 sets a 1. Mas após salvar dois set points, os italianos não evitaram nova vitória, dessa vez por 28 a 26.

No set seguinte, a luta era para conter a ansiedade. A cada ponto a medalha ficava mais perto, porém a Itália não tinha desistido, mesmo com 2 a 0 contra. O bloqueio ficou mais forte, assim como as reclamações contra decisões de arbitragem. No jogo de nervos prevaleceu quem tinha menos a perder naquele momento. Quando os erros adversários pareciam pesar a favor do Brasil, o ginásio reforçou o apoio.

O símbolo da conquista foram os pontos finais do terceiro set. A torcida ficou em pé, assim como Neymar, acompanharam o desenrolar da partida, empatada em 23 a 23. Teve vaia para os saques italianos, vibração com os match points e emoção junto com os jogadores para celebrar o ponto final. Um bloqueio encerrou a final com comemoração coletiva. Voluntários, atletas, comissão técnica e torcida fizeram virar carnaval a final olímpica, fechada em 26 a 24.