CBB nega retaliação a atletas, mas admite denúncia contra jogadoras no STJD

  • Por Agência Estado
  • 19/01/2016 15h43
Presidente da CBB

A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) emitiu nota oficial no início da tarde desta terça-feira para negar que tenha orquestrado com o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da entidade uma retaliação contra as jogadoras que recusaram a convocação para o evento-teste. Elas foram convocadas para uma oitiva na próxima quinta-feira, no Rio, horas antes de suas equipes jogarem pela Liga de Basquete Feminino (LBF) em Americana (o Corinthians/Americana) e em Recife (o América-PE).

“Os órgãos integrantes da Justiça Desportiva são autônomos e independentes das entidades de administração do desporto. Neste sentido, o estatuto da CBB assegura esta autonomia do Tribunal. Assim, a convocação de atletas e quaisquer outras pessoas obedece, única e exclusivamente, ao entendimento daquele Tribunal, dentro de suas atribuições”, diz a nota da CBB.

A entidade máxima do basquete brasileiro diz rejeitar e repudiar “qualquer insinuação sobre influência em decisões e procedimentos” adotados pelo STJD. É a CBB, entretanto, que, por lei, custeia o STJD. 

Em entrevistas à imprensa, o presidente Carlos Nunes e o diretor técnico Vanderlei Mazzuchini garantiram que não haveria retaliação às sete atletas que pediram dispensa alegando razões pessoais. Nesta terça, entretanto, a CBB disse que as denúncias ao STJD “baseiam-se no boicote à última convocação da seleção feminina, em uma ação orquestrada, proibidas pelas normas nacionais e internacionais, sendo imperativa uma investigação para apuração de responsabilidades”.

Ao dizer que defende a “posição de não punir, no âmbito da entidade, nenhuma atleta por aquele episódio”, a CBB indica que não se opõe, entretanto, a que estas atletas sejam punidas pelo STJD, o que pode proibir que elas defendam a seleção na Olimpíada, inclusive. 

Terão que estar no Rio, na tarde de quinta-feira, as jogadoras Adrianinha, Tainá, Tati (América-PE), Gilmara, Joice (Corinthians/Americana), Jaqueline e Tássia (Santo André). À noite, às 21h, o América-PE recebe o Maranhão Basquete. Uma hora mais cedo, o Corinthians/Americana joga em casa contra Presidente Venceslau.

A Liga de Basquete Feminino (LBF) tem apenas seis times e está paralisada desde o dia 22 de dezembro. Por economia, os jogos de quinta-feira se repetem na sexta, nos mesmos locais. O Corinthians só volta a jogar no dia 4, enquanto o Presidente Venceslau, que não teve atletas convocadas, faz seis jogos até o dia 3, realizando uma excursão pelo Nordeste.

Com aproveitamento de 83,3% (cinco vitórias e uma derrota), América-PE e Corinthians dividem a liderança. O Sampaio Corrêa vem em terceiro, com 75% (seis vitórias e duas derrotas). Santo André, Presidente Venceslau e Maranhão brigam para ser o outro semifinalista.

Ao desfalcar América-PE e Corinthians, a convocação para a oitiva, de quebra, beneficia o Sampaio Corrêa, único time que furou o boicote proposto pelo Colegiado de Clubes. Afinal, os dois rivais jogam desfalcados na quinta e, possivelmente, também na sexta-feira.

Entre as jogadoras, apenas a ala Clarissa, do Corinthians, furou o boicote. Além das atletas do Sampaio Corrêa e de times semi-amadores que acabaram convocadas, só a pivô Érika se apresentou ao técnico Barbosa e jogou o evento-teste. A veterana, que rescindiu contrato na Turquia, assinou com o América-PE.