Com média de um título por temporada, rebaixamento corintiano completa 7 anos

  • Por Lucas Tomazelli/Jovem Pan
  • 02/12/2014 09h11
Montagem: especial Corinthians

Quando o apito final soou no Olímpico no dia 02 de dezembro de 2007, o Corinthians chegava ao fundo do poço com o primeiro rebaixamento de sua história. Exatos sete anos depois, o Timão pode olhar para trás e perceber como as coisas mudaram desde aquela fatídica tarde em Porto Alegre. O alvinegro paulista conquistou sete títulos desde então e, assim, tem média de um caneco por temporada desde a queda para a segundona.

Já em 2008, enquanto “sobrava” na Série B, o Corinthians flertou com o título, mas bateu na trave e ficou com o vice da Copa do Brasil daquele ano ao ser derrotado pelo Sport. No ano seguinte, Ronaldo Fenômeno chegou e com ele duas conquistas: Campeonato Paulista (invicto) e Copa do Brasil. Em 2010, ano do centenário do clube, nada de festa: eliminação nas oitavas-de-final da Libertadores e modesto quarto lugar no Campeonato Brasileiro.

Sob o comando de Tite, parecia que o Corinthians não chegaria a lugar algum. Logo no início de 2011, vexame histórico e eliminação na pré-Libertadores para o Tolima. Com o técnico gaúcho mantido e um elenco sem estrelas, mas com muitos nomes que viraram ídolos, o Timão chegou ao penta do Campeonato Brasileiro em 2011. No ano seguinte, a glória máxima: conquista inédita da América em cima do temido Boca Juniors (também de forma invicta) e bicampeonato Mundial diante do Chelsea. Em 2013, para fechar a “Era Tite”, dois títulos sobre os rivais Santos e São Paulo, respectivamente: Campeonato Paulista e Recopa Sul-Americana

Primeiro título pós-queda: Paulistão invicto

Após um 2008 de reconstrução e um retorno tranquilo à elite do futebol brasileiro, o Corinthians começou 2009, sob comando de Mano Menezes e já com Ronaldo Fenômeno no elenco, de forma surpreendente. Na fase de grupos, 10 vitórias e nove empates em 19 partidas. Destaque para o confronto diante do Palmeiras, marcado pelo primeiro gol de Fenômeno com a camisa alvinegra já no fim para decretar o 1 a 1 e manter a invencibilidade corintiana.

Na fases decisivas, vitórias convincentes sobre outros dois rivais. Na semifinal, dois triunfos sobre o São Paulo, com direito a gol de Cristian no último minuto da vitória por 2 a 1, na ida. Na grande final diante do Santos, Ronaldo Fenômeno brilhou na Vila Belmiro, anotou um golaço e fez com que o empate no Pacaembu bastasse para o título invicto do time de Mano Menezes.

Depois do vice em Recife, o tri em Porto Alegre

Após a decepção de ter batido o Sport por 3 a 1 na ida e mesmo assim ter perdido o título da Copa do Brasil 2008, o Corinthians voltou a competição nacional disposto a apagar a tragédia na Ilha do Retiro. Nas fases iniciais, o time de Mano Menezes despachou os modestos Itumbiara-GO e Misto-MS. Nas oitavas, derrota para o Atlético-PR na ida (único revés do time no torneio) e show de Ronaldo na volta levaram o Timão às quartas. Fluminense e Vasco foram os adversários seguintes e a classificação veio sem grandes sustos.

Na grande decisão, o rival era o Internacional, clube com o qual o Timão tem rivalidade acirrada desde o polêmico Campeonato Brasileiro de 2005. O Colorado de Tite sucumbiu ao alvinegro de Mano Menezes. Na ida, Jorge Henrique e Ronaldo marcaram no triunfo por 2 a 0 dentro do Pacaembu. No duelo decisivo, Jorge Henrique de novo e Fábio Santos balançaram as redes no empate em 2 a 2, que garantiu o terceiro caneco da competição para o clube paulista.

Tite de alma lavada: Pentacampeonato Brasileiro

O técnico gaúcho assumiu o Corinthians na reta final do Campeonato Brasileiro de 2010, após a saída de Mano Menezes para a Seleção Brasileira e a péssima passagem de Adilson Batista pelo clube. Sem o título nacional daquele ano e com trágica eliminação na pré-Libertadores, parecia que a segunda passagem de Tite pelo Corinthians não teria glórias. Andrés Sanchez, então presidente do clube, apostou no treinador e o resultado veio.

Campanha sólida para conquistar o quinto título nacional da história alvinegra em 2011. Início avassalador com oito vitórias e dois empates nos primeiros dez jogos. Liderança perdida para o Vasco em alguns momentos, mas retomada a partir da 32ª rodada para se sagrar campeão após mais seis jogos. No total foram 21 vitórias, oito empates e nove derrotas nas 38 partidas.

Libertação: América corintiana pela primeira vez

Empolgado pelo título nacional do ano anterior, o Corinthians foi encarar o maior dos seus demônios novamente: a Copa Libertadores da América. O Timão acumulava diversas eliminações trágicas no torneio continental e sofria com piada dos rivais por anos. Na fase de grupos, classificação tranquila com quatro vitórias e dois empates em seis duelos. Nas oitavas, sofrimento diante do Emelec no Equador, mas avanço consolidado no Pacaembu com vitória tranquila por 3 a 0.

Nas quartas, o duelo era com o Vasco, rival direto pelo título nacional do ano anterior. Após empate sem gols na ida, Cássio brilhou e Paulinho marcou no fim para levar o Corinthians a tão sonhada semifinal. Frente ao Santos do craque Neymar, vitória na Vila Belmiro com golaço de Émerson Sheik e empate em São Paulo para chegar a inédita decisão. Diante do temido Boca Juniors, um dos maiores campeões do torneio, empate na Argentina com gol histórico de Romarinho e triunfo em um Pacaembu abarrotado, que festejou os dois gols do herói Sheik e a conquista do tão sonhado título, ainda por cima, de forma invicta. 

Herói peruano e topo do Mundo pela segunda vez

A América não parecia o suficiente para as ambições de Tite no Corinthians. Depois de festejar a Libertadores, o técnico preparou a equipe durante o Campeonato Brasileiro daquele ano de olho na disputa do Mundial de Clubes, no Japão. Para o torneio, o time trouxe alguns reforços, entre eles, o atacante peruano Paolo Guerrero.

O atacante faria toda a diferença para o Timão na conquista do bimundial. Na semi, diante do Al Ahly do Marrocos, vitória suada por 1 a 0 com gol do peruano de cabeça. Na grande final diante do temido Chelsea, jogo tenso, brilhante atuação de Cássio (eleito melhor jogador do torneio) e mais um gol na conta de Guerrero. Timão 1 x 0 Blues e pela segunda vez o Mundo era corintiano.

Chegada de Pato e 27º título estadual

Conservando a equipe que havia conquistado o Mundo há alguns meses, o Corinthians ainda fez mais contratações para o ano de 2013, Alexandre Pato era tido como a maior delas. Em seu primeiro torneio, o atacante deu pistas de que poderia jogar bom futebol com a camisa alvinegra. Após classificação tranquila na fase de grupos, o Timão atropelou a Ponte Preta nas quartas com vitória por 4 a 0.

Assim como em 2009, os rivais São Paulo e Santos foram os adversários na semi e na decisão, respectivamente. Diante do Tricolor, vitória nos pênaltis com Pato preciso na cobrança final. Contra o Peixe, vitória tranquila no Pacaembu e empate por 1 a 1 na Vila Belmiro deram mais um título ao técnico Tite e seus comandados.

Fim da “Era Tite”: título sobre grande rival

A conquista da Libertadores 2012 deu ao Timão o direito de disputar a Recopa-Sul Americana contra o São Paulo, atual campeão da Copa Sul-Americana. O torneio, disputado em duas partidas, foi valorizado pela grande rivalidade existente entre as equipes.

Na ida, Guerrero e Renato Augusto marcaram e o Timão bateu Rogério Ceni e companhia por 2 a 1 em pleno Morumbi. Na partida decisiva, Romarinho e Danilo balançaram as redes e Tite levantava seu último título em sua segunda passagem no comando do alvinegro paulista.