Comissário da NBA quer saída de Donald Sterling dos Clippers
O comissário da NBA, Adam Silver, garantiu nesta terça-feira que seu objetivo é fazer com que o proprietário do Los Angeles Clippers, Donald Sterling, deixe a equipe, após a suspensão vitalícia do dirigente e uma multa de US$ 2,5 milhões por seus comentários racistas contra os negros.
“Estou confiante que vou conseguir o apoio que necessito dos outros donos da NBA para retirar o senhor Sterling da equipe”, disse Silver em entrevista coletiva em Nova York.
Donos como Leslie Alexander (Houston Rockets), Jerry Reinsdorf (Chicago Bulls) e Joe Lacob (Golden State Warriors), já haviam manifestado seu apoio nessa direção.
No entanto, Mark Cuban (Dallas Mavericks), que foi o primeiro a dar todo seu respaldo à decisão de Silver através do Twitter, foi mais cauteloso ao afirmar que não considera que obrigar Sterling a se desfazer de sua propriedade privada seja algo que possa trazer benefícios para a liga.
“Se estamos criticando a atitude racista e injustificada de Sterling e punindo suas ações com base em uma constituição que existe na liga, a mesma deve ser respeitada em todo seu conteúdo”, advertiu Cuban.
Até o momento, não se sabe a posição que será mantida pelo próprio Sterling sobre sua suspensão e se o mesmo levará aos tribunais os responsáveis pelo grampo ao qual foi submetido, o que é ilegal na Califórnia.
Sterling, de 80 anos, também se caracterizou por não fazer nenhuma concessão nos processos judiciais em que esteve envolvido, que ganhou ou chegou a um acordo fora dos tribunais.
Silver reconheceu que a suspensão vitalícia e a multa milionária eram o primeiro passo necessário, mas que ainda restam muitas coisas a fazer.
“Deixamos muito claro que essas atitudes e comentários ofensivos não têm lugar dentro da liga e, além disso, que ninguém está acima do bem geral de nossa organização”, destacou.
“Agimos porque o senhor Sterling violou as regras da liga, algo que lamentamos profundamente”, acrescentou.
O comissário também anunciou que o dinheiro da multa será doado para organizações dedicadas a combater a discriminação e na realização de esforços para incentivar a tolerância, que serão escolhidos pela NBA e pela Associação de Jogadores.
A decisão tomada por Silver permite que as atenções na liga voltem para a competição, que está na fase dos playoffs, mas o assunto, como reconheceu o próprio comissário, está longe de ser solucionado.
Silver disse que recebeu todo o apoio da organização dos Clippers durante a investigação e que tinha certeza que as vozes da gravação telefônica eram de Sterling e de sua namorada, V.Stiviano, que colaborou diretamente com a NBA.
Os Clippers divulgaram um comunicado em seu site destacando que estão unidos, que apoiam a decisão de Silver e que já começaram a superar o ocorrido.
“Tudo aconteceu em três dias, por isso tenho a esperança de que não haverá danos no longo prazo para a liga e para a organização dos Clippers”, avaliou Silver.
Várias empresas retiraram seu patrocínio da equipe após a divulgação do escândalo, enquanto outras esperavam pela decisão do comissário após o fim das investigações.
O escândalo veio à tona quando o site “TMZ” publicou gravações em que Sterling pedia que Stiviano não divulgasse publicamente suas relações com negros e que não acompanhasse pessoas negras nos jogos dos Clippers, depois que ela compartilhou uma foto junto com Magic Johnson, jogador lendário do Los Angeles Lakers e membro do Hall da Fama do Basquete, nas redes sociais.
A decisão de Silver foi bem recebida entre os antigos e atuais jogadores da NBA e organizações que lutam contra a discriminação e a favor dos direitos das minorias.
Kevin Johnson, ex-jogador, atual prefeito de Sacramento (Califórnia) e representante eleito pelo Sindicato dos Jogadores, disse que a atitude do diretor da NBA, da qual se sentia “orgulhoso”, mostrou que ele não é só o “comissário dos donos, mas também dos jogadores”. EFE
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