Como Tite pode fazer Castán se reerguer após doença que quase o aposentou

  • Por Jovem Pan
  • 21/06/2016 14h29
futebol

A troca de Dunga por Tite aliviou momentaneamente a pressão sobre a Seleção Brasileira. A CBF acarinhou a opinião pública ao mexer no comando técnico nacional, mas, longe dali, na Itália, um jogador em especial ficou ainda mais satisfeito com o novo cargo do ex-treinador do Corinthians. Trata-se de Leandro Castán. A simples presença de Tite na Seleção muito provavelmente ajudará o zagueiro da Roma a recolocar a carreira nos trilhos. 

Castán por pouco não abandonou o futebol em 2014, quando foi diagnosticado com um cavernoma de três centímetros no cérebro. A má formação vascular do sistema nervoso central deu apenas duas opções ao defensor: aposentar-se precocemente, ainda aos 28 anos, ou passar por uma cirurgia na cabeça, que poderia lhe matar ou a paralisar parte do corpo. Se bem sucedida, no entanto, a operação permitiria ao zagueiro retornar ao futebol. 

Leandro Castán pensou, pensou, pensou. E, depois de quase largar o esporte, escolheu a segunda opção, mais arriscada. A intervenção médica foi um sucesso, é verdade, mas, desde então, o defensor só disputou seis partidas oficiais – o novo técnico da Roma, Luciano Spalletti, praticamente não conseguiu observar o trabalho do brasileiro no dia-a-dia do clube 

A conclusão a que se chega é que, indiscutivelmente, o Leandro Castán de 2016, que pouco joga e ainda luta para recuperar a melhor forma técnica, tem nível muito inferior ao do Leandro Castán de 2012, campeão da Libertadores como titular do Corinthians. Engana-se, porém, quem pensa que o jogador está confortável com esta situação. 

Aos 29 anos, o zagueiro ainda acha que pode voltar a atuar em alto nível e, quem sabe, ser convocado para a Seleção Brasileira. Pensamento ilusório? Nem tanto. Afinal, o homem que, no Corinthians, fez Castán jogar melhor do que nunca acaba de assumir o comando técnico do time verde e amarelo – o que dá motivação-extra para o jogador acreditar em uma rápida recuperação. 

“Com o Tite assumindo a Seleção, é claro que alimenta aquela chaminha. Tenho de recuperar o meu nível… Mas tenho certeza de que, se eu jogar bem e voltar a ser aquele Castán de antes, ele vai me dar uma oportunidade, afirmou o zagueiro, em entrevista exclusiva a Mauro Beting para o Plantão de Sábado, da Rádio Jovem Pan. 

Apesar de improvável, uma futura convocação à Seleção Brasileira não seria inédita para Leandro Castán. Ele já foi chamado para o time verde e amarelo três vezes: duas por Mano Menezes e uma por Felipão, ainda antes do Mundial do Brasil. Com Dunga, o zagueiro garante que só não teve chances por causa do problema que o afetou no segundo semestre de 2014. 

No momento em que ninguém sabia que eu estava doente, tive um papo com o Gilmar Rinaldi. Ele queria saber como eu estava, porque o Dunga iria me convocar para a Seleção. Aí, falei que não havia nenhuma possibilidade de representar a Seleção, porque eu não estava nem treinando. Então, este foi um momento que ficou um pouco engasgada na minha garganta… Era depois da Copa do Mundo, eu achava que era a oportunidade de mostrar o meu valor, mas tudo foi interrompido“, lamentou. 

Por essas e outras, Castán não pretende, hoje, retornar ao Brasil. O zagueiro admitiu que quer voltar a jogar no País pentacampeão mundial de futebol, mas não agora. Ele deseja retribuir o apoio que o clube da capital italiana lhe deu quando mais necessitou. “Tenho mais dois anos de contrato e pretendo cumpri-lo até o final. Quando o vínculo com a Roma se encerrar, estarei com 31 anos. Ainda terei muito fôlego. Aí, sim, posso pensar em voltar ao Brasil. No momento, o pensamento é de ficar na Itália”, encerrou.