Conheça um pouco mais sobre Gabriel Medina, o brasileiro que fez história no surfe

  • Por Luiz V. Andreassa/Jovem Pan
  • 20/12/2014 18h24
Gabriel Medina aprendeu a surfar em Maresias e tem Ayrton Senna como ídolo

Gabriel Medina Pinto Ferreira começou a surfar aos 9 anos em Maresias, litoral norte de São Paulo. O paulista de São Sebastião estava destinado a ser o primeiro. Não só o primeiro brasileiro a conquistar o Mundial de Surfe da ASP, mas também o primeiro surfista que não tem o inglês como língua oficial a chegar ao topo do surfe mundial.

Aos 11 anos, Medina conquistou seu primeiro campeonato a nível nacional, a etapa Rip Curl Grom Search, em Búzios-RJ. Foi só o começo para o brasileiro, que começou a colecionar conquistas nas competições de base e amadoras. Com 14 anos, já disputava em igualdade com profissionais, e conseguiu derrotar Adriano Mineirinho, seu ídolo.

Por falar em ídolo, outro esportista que Gabriel Medina admira é Ayrton Senna. Com o lendário piloto brasileiro, o surfista compartilha o amor pelo Corinthians e a relevância conquistada num esporte que está longe de ser tão prestigiado no Brasil quanto o futebol. É possível ir além: Senna foi ídolo na Fórmula 1, esporte já consolidado no gosto dos brasileiros, enquanto Medina chamou a atenção do país para as disputas nas ondas, que nunca tiveram destaque por estas terras.

Agora, o Brasil inteiro sabe quem é Gabriel Medina. E Kelly Slater ressaltou sua a importância de uma conquista com o “peso de um país em suas costas”. Até por isso, o garoto de 20 anos demorou a acreditar na vitória. “Ainda não caiu a ficha. Parece que está todo mundo mentindo para mim. Estou orgulhoso de mim, eu fui o primeiro campeão mundial do Brasil, o que muitos tentaram”, disse na sexta-feira (19), dia da conquista histórica.

O brasileiro se profissionalizou em 2009 e fechou um contrato com a Rip Curl. Pouco depois, já estava vencendo uma etapa do Mundial de Surfe. No ano seguinte, foi o primeiro brasileiro a vencer a etapa Australiana de Backside (Gold Coast Australia). Tudo isso só foi possível com o apoio da mãe, Simone, e do padrasto, Charles, que, ao ouvir do então garoto de 10 anos de idade sobre seu sonho de ser campeão do mundo, adotaram o sonho como seu – apesar de a mãe não gostar, a princípio, da ideia de o filho largar os estudos.

Apesar de dedicar todo seu tempo ao surfe, Gabriel terminou o segundo grau e pretende continuar os estudos. Até porque precisa dar o exemplo aos dois irmãos mais novos, Felipe, de 18 anos, e Sophia, de nove. A caçula, aliás, já mostra a mesma inclinação para o surfe, tendo foto com a prancha no perfil do irmão no Instagram. A mãe já confessou ter medo da influência da fama no filho, criado numa família simples. Ela vai ter ainda mais trabalho a partir de agora, com Gabriel sendo destaque no mundo todo e no país do futebol, que nas últimas semanas começou a olhar, além da bola, para as ondas.